Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Família de Serginho materializa sonho

Quinta, 27 de Outubro de 2005 às 12:19, por: CdB

Um ano depois da morte de Serginho, a sogra do zagueiro descreveu o que sentiu no dia 27 de outubro do ano passado.

- A dor no início foi física mesmo, como se tivéssemos sido atropelados por um carro. Foi algo insuportável, pensei que nunca mais ia ter condição de sorrir. Atualmente a dor física já amenizou, mas a saudade aumenta a cada dia. Parece que tudo aquilo aconteceu ontem - declarou.

Mãe da viúva Helaine, dona Ilce Helaine de Castro Cunha acompanhou cada passo da filha e do neto Paulo Sérgio no último ano. E sabe bem as dificuldades que ambos passaram.

Morando junto com Helaine há cerca de cinco anos, dona Ilce tinha em Serginho mais que um genro.

- Ele era mais que um filho até. Tinha um amor declarado por ele. Cuidava da comida dele, da roupa, tínhamos uma relação muito bonita, algo que nunca vi. Era uma pessoa maravilhosa e um genro exemplar - recordou.

Mas além de saudade e lições, Serginho deixou uma missão para a família. Horas antes de cair no gramado do estádio do Morumbi, o zagueiro fez uma ligação para o cunhado Luzio Nunes Cunha.

Pediu para que ele começasse a viabilizar uma partida beneficente no final do ano para ajudar crianças carentes. Era o início de um projeto almejado pelo jogador.

- Naquela quarta-feira, do hotel onde estava concentrado, ele ligou para o meu filho e disse que queria usar a imagem dele para realizar um jogo com amigos. Quando ele faleceu, precisávamos levar essa idéia adiante. Era um antigo sonho dele - contou dona Ilce.

A idéia saiu do papel no último dia 10 de outubro, quando foi inaugurado oficialmente o Instituto Serginho na cidade de Coronel Fabriciano-MG, onde o zagueiro começou no futebol.

No dia 12 de outubro, data em que o defensor completaria 31 anos, uma festa atraiu mais de duas mil crianças ao Instituto presidido por Luzio.

O objetivo, agora, é ver o projeto crescer e expandi-lo. São Caetano do Sul encabeça a lista de preferência de Ilde.

- Mas antes precisamos correr atrás de patrocinadores. Existem muitas dificuldades - disse a mãe.

A idéia do instituto, porém, não foi a única "semente" plantada por Serginho. Paulo Sérgio de Oliveira da Silva Júnior, hoje com cinco anos, já começa a entender a ausência do pai e arrisca seus primeiros chutes. Porém, não tem o mesmo gosto de Serginho.

- Ele decidiu que vai ser goleiro, mas acho que o futebol não é muito a praia dele. Não é muito chegado em bola. Mas já disse que torce pelo São Paulo - comentou dona Ilce.

Atualmente, a distância para o futebol é grande na família de Serginho. Desde a morte do jogador, o contato com um jogo se dá por meio de uma televisão, quando muito.

- Antes íamos em todas as partidas, acompanhamos a carreira dele desde o começo. Mas nunca mais fomos ao estádio. Não temos coragem de ir, lembra muito ele - explicou a mãe de Helaine.

- O máximo que fazemos é torcer por alguns amigos do Serginho pela televisão, como é o caso do Silvio Luiz, Lúcio Flávio, Mineiro, Euller e outros. Temos um contato muito grande entre as famílias. Eles sempre nos apoiaram muito. Nessas horas difíceis, os amigos são muito importantes e fizemos questão de não perder contato -  contou dona Ilce.

Se tem na amizade o conforto para seguir adiante, financeiramente, Helaine e a família vivem com os R$ 60 mil de salários que o São Caetano ainda paga.

O clube se comprometeu a honrar o contrato de Serginho até o final (acabava em dezembro deste ano e foi prorrogado até fevereiro de 2006).

Tentando se manter alheia ao processo que tramita na Justiça, a família não culpa o presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, ou qualquer outro funcionário do clube pela tragédia do dia 27 de outubro.

- Temos um convívio normal com ele. Sempre que nos encontramos, o Nairo pergunta como estamos, essas coisas. Não temos ressentimento nenhum dele, mesmo porque não existe motivo

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