Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Família de jornalista pede médicos no Marrocos

Quinta, 03 de Julho de 2003 às 23:06, por: CdB

A família do jornalista marroquino Ali Lmrabet, que no dia 24 de junho interrompeu a greve de fome que estava fazendo em protesto por sua detenção, pediu, nesta sexta-feira, autorização para que médicos espanhóis o visitem. Em uma carta enviada ao ministro marroquino de Justiça, Mohamed Buzubá, Hassan Lmrabet, irmão do jornalista, informa que Ali ainda não teve acesso a cuidados médicos "adequados" e por isso "sua saúde continua piorando". Segundo o irmão de Ali Lmrabet, um grupo de médicos espanhóis "especialistas em situações de saúde complexas", procedentes de Barcelona, se ofereceram para ir ao Marrocos visitar o jornalista. Lmrabet está internado na seção penitenciária do hospital Avicena de Rabat, onde divide quarto com presos comuns. O local onde está não é, de acordo com sua família, "adequado", já que a "gravidade de seu estado" requer sua transferência para uma "unidade de cuidados intensivos". Hassán Lmrabet diz que "não consegue se alimentar" por causa de uma diarréia constante, "continua perdendo peso" e "apresenta complicações, como transtornos nervosos e visuais, uma tosse sufocante e cólica nefrítica". A família do jornalista termina a carta pedindo ao ministro que transfira Ali Lmrabet a uma unidade médica "adaptada" a seu estado de saúde. Na terça-feira passada, um grupo de médicos marroquinos enviou outra carta ao ministro de Justiça, informando que a vida de Ali Lmrabet corre perigo e pedindo sua transferência a uma unidade de cuidados intensivos. O próprio Ali Lmrabet, em nota de próprio punho, acusou nesta quinta o Governo marroquino de querer seu "exílio", baseado em declarações feitas pelo ministro de Interior, Mustafá Sahel, que o acusava de "envenenar o ambiente". A acusação foi feita porque o jornalista rejeitou a possibilidade de ser transferido para a França, o que poderia ocorrer, pois possui dupla nacionalidade. Lmrabet justificou sua decisão alegando que o que lhe tinha sido proposto era "mudar de uma prisão marroquina para outra francesa". Ali Lmrabet foi condenado em apelação a três anos de prisão por "ultraje ao rei" no dia 17 de junho. O jornalista foi preso no dia 21 de maio, logo após o julgamento em primeira instância, e cinco dias depois teve que ser trasladado ao hospital Avicena de Rabat devido à piora de seu estado de saúde em função da greve de fome.

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