Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Família de jornalista morto em ataque ao hotel Palestina pode processar EUA

Quarta, 13 de Agosto de 2003 às 10:54, por: CdB

A família do jornalista espanhol José Couso, que morreu em Bagdá ao ser atingido por disparos de um tanque do Exército dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira que se reserva o direito de apresentar ações legais na Europa e nos Estados Unidos.

A declaração foi dada após a família de Couso receber um relatório oficial americano que alega "defesa própria" como justificativa para o ataque ao Hotel Palestina. O relatório do Comando Central dos EUA, divulgado nesta terça-feira, conclui que o carro de combate disparou em defesa própria e dentro das leis de guerra em área perigosa.

José Couso, cinegrafista da rede de TV espanhola Tele 5, morreu em 8 de abril passado, ao ser atingido por um disparo de um tanque americano contra o hotel em que estavam hospedados os jornalistas estrangeiros que cobriam a guerra no Iraque.

— Nossos advogados estão estudando a possibilidade de apresentar essas ações — disse nesta terça o porta-voz da família Couso, Rafael Permuy, ao acrescentar que a família tem "todo o apoio das associações de jornalistas, como a Repórteres Sem Fronteiras e a Associação de Jornalistas Europeus".

Permuy explicou que a atitude do governo espanhol diante do caso "contrasta com a do governo ucraniano em relação à morte de Taras Protsyuk, cinegrafista da agência Reuters morto na mesma ação, que exigiu uma investigação independente".

— Nosso governo, por outro lado, parece não querer incomodar o amo americano, mas, se somos aliados, deveríamos ter um tratamento mais igualitário — disse o representante da família Couso. 

Javier Couso, irmão do repórter morto, reafirmou sua "indignação" com relatório que o Comando Central dos EUA enviou à família, através do Ministério espanhol de Assuntos Exteriores.

— Estamos indignados porque, após meses da morte do meu irmão, nos remetem um suposto relatório sobre a investigação do assassinato do meu irmão, em inglês e sem timbre, e que não traz nada de novo.

Segundo Javier Couso, o relatório afirma "que haviam mísseis e que (os militares) tinham conhecimento de que havia um comando iraquiano (no hotel). Porém o relatório da Comissão Independente, que realizou uma investigação, concluiu que não havia nada disso, nem combates nem soldados iraquianos".

Nesta quarta, o Partido Socialista Espanhol (PSOE), de oposição, acusou o governo de manter "um suspeito silêncio cúmplice" com o governo dos Estados Unidos. O dirigente do PSOE, José Blanco, exigiu que o Executivo divulgue uma nota na imprensa ordenando uma "autêntica investigação" sobre a morte do jornalista.

Segundo o PSOE, é "intolerável e inadmissível" o relatório americano sobre o ataque ao Hotel Palestina, ao justificar como "defesa própria" o disparo que matou Couso.

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