O Dia do Índio, nesta quinta-feira, não será uma data de comemoração, mas, sim, de tristeza para a família do índio pataxó Galdino José dos Santos, morto incendiado há dez anos, em Brasília.
Para Wilson Jesus de Souza, de 42 anos, sobrinho de Galdino, não houve justiça. - Sobre a condenação, não ficamos satisfeitos. Foi muito curto o prazo das penas. É bem capaz que eles estejam em suas casas neste momento. Não tenho informações sobre isso, mas é o que eu imagino. Para nós, é como se eles nunca tivessem sido condenados -.
Souza lembrou da luta de Galdino por melhorias nas condições de vida dos pataxós e pelos direitos dos índios à remarcação de terras. - Na verdade, a gente está triste com a lembrança da morte de meu tio. Vamos fazer um manifesto de repúdio pelos crimes contra os índios. Desde a morte de Galdino, praticamente nada andou mais sobre a questão das terras -.
Ele informou que será realizada uma cerimônia para lembrar a norte de Galdino na aldeia Caramuru Catarina Paraguassu, no Sul da Bahia. No local, que fica entre os municípios de Pau Brasil, Itaju Colônia e Camaçã, moram 3.020 índios pataxós. A aldeia fica a 580 quilômetros de Salvador.
- Faremos uma manifestação no dia 21 de abril, que foi quando o corpo dele chegou aqui na aldeia para ser enterrado. Em Brasília, no monumento em memória pela morte dele, vamos registrar o 'abril indígena'. Serão manifestações no Brasil inteiro - disse Souza.
O sobrinho de Galdino deve ir para o Distrito Federal nesta quinta-feira para participar das manifestações. - Estarei em Brasília com outros parentes. A mãe de Galdino não vai, pois está muito doente e passou este mês todo internada. Dona Minervina de Jesus está com 73 anos e não pode andar muito - disse Souza.