Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2026

Família de índio assassinado diz que 'não foi feita justiça'

O Dia do Índio, não será uma data de comemoração, mas, sim, de tristeza para a família do índio pataxó Galdino, morto incendiado há dez anos, em Brasília. Para Wilson de Souza, sobrinho de Galdino, não houve justiça. (Leia mais)

Quinta, 19 de Abril de 2007 às 09:04, por: CdB

O Dia do Índio, nesta quinta-feira, não será uma data de comemoração, mas, sim, de tristeza para a família do índio pataxó Galdino José dos Santos, morto incendiado há dez anos, em Brasília.

Para Wilson Jesus de Souza, de 42 anos, sobrinho de Galdino, não houve justiça. - Sobre a condenação, não ficamos satisfeitos. Foi muito curto o prazo das penas. É bem capaz que eles estejam em suas casas neste momento. Não tenho informações sobre isso, mas é o que eu imagino. Para nós, é como se eles nunca tivessem sido condenados -.

Souza lembrou da luta de Galdino por melhorias nas condições de vida dos pataxós e pelos direitos dos índios à remarcação de terras. - Na verdade, a gente está triste com a lembrança da morte de meu tio. Vamos fazer um manifesto de repúdio pelos crimes contra os índios. Desde a morte de Galdino, praticamente nada andou mais sobre a questão das terras -.

Ele informou que será realizada uma cerimônia para lembrar a norte de Galdino na aldeia Caramuru Catarina Paraguassu, no Sul da Bahia. No local, que fica entre os municípios de Pau Brasil, Itaju Colônia e Camaçã, moram 3.020 índios pataxós. A aldeia fica a 580 quilômetros de Salvador.

- Faremos uma manifestação no dia 21 de abril, que foi quando o corpo dele chegou aqui na aldeia para ser enterrado. Em Brasília, no monumento em memória pela morte dele, vamos registrar o 'abril indígena'. Serão manifestações no Brasil inteiro - disse Souza.

O sobrinho de Galdino deve ir para o Distrito Federal nesta quinta-feira  para participar das manifestações. - Estarei em Brasília com outros parentes. A mãe de Galdino não vai, pois está muito doente e passou este mês todo internada. Dona Minervina de Jesus está com 73 anos e não pode andar muito - disse Souza.

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