Família de Claudia entra com ação na Justiça contra o Estado do Rio
A família de Claudia Silva Ferreira, morta durante uma operação policial no Morro da Congonha, em Madureira, na Zona Norte, entrou com uma ação na Justiça contra o Estado do Rio de Janeiro por danos morais e materiais pedindo um valor de mil salários mínimos para 13 familiares, cerca de R$ 724 mil para cada.
Segundo o advogado da família, João Tancredo, o marido de Cláudia e seus oito filhos pedem ainda uma pensão de aproximadamente R$ 800 mensais
A família de Claudia Silva Ferreira, morta durante uma operação policial no Morro da Congonha, em Madureira, na Zona Norte, entrou com uma ação na Justiça contra o Estado do Rio de Janeiro por danos morais e materiais pedindo um valor de mil salários mínimos para 13 familiares, cerca de R$ 724 mil para cada.
Segundo o advogado da família, João Tancredo, o marido de Cláudia e seus oito filhos pedem ainda uma pensão de aproximadamente R$ 800 mensais, valor equivalente ao salário da auxiliar de serviços gerais. Tancredo acrescentou ainda que irá ao Tribunal de Justiça, no Centro, na tarde desta segunda-feira para pedir que a decisão da liminar saia o quanto antes.
- O objetivo é garantir a sobrevivência deles, enquanto ainda não há julgamento. O valor da indenização não é um pedido, é uma indicação. O dano moral tem a finalidade de tentar repor com o dinheiro a tristeza que o mal que causou. A regra é essa. A outra finalidade é o critério punitivo. Que o estado seja punido, senão não vai deixar de ter essa conduta. Outro caso é para servir de exemplo para a sociedade. A ideia da família é exatamente essa. É para se evitar que isso aconteça novamente -explicou o advogado.
Ele informou também que a família pede uma indenização para cobrir os gastos com o funeral e enterro, equivalente a aproximadamente cinco salários mínimos. Além disso, os familiares, incluindo os irmãos e a mãe de Cláudia, esperam receber tratamento psicológico.
- Entrei com o pedido no dia primeiro de abril. Nesta segunda-feira ainda deve ter alguma decisão. Semana passada foi confusa por causa da reconstituição (do crime). Enquanto o processo está rolando, estamos pedindo para antecipar a pensão de R$ 804, mais o tratamento psicólogo. A gente indicou para o Alexandre [marido] e para os quatro filhos naturais e quatro de criação. Para esse grupo, o médico indicou duas sessões semanais nos primeiros seis meses. E para a mãe da Claudia e irmãos, ele indicou uma sessão semanal por seis meses - completou.
Claudia foi baleada por PMs quando descia a favela para comprar pão. Ela foi colocada por policiais militares no porta-malas do carro, para ser levada, segundo a PM, ao Hospital Carlos Chagas, onde chegou sem vida, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Segundo informações do portal G1. No meio do caminho, no entanto, o porta-malas se abriu, a mulher ficou presa ao carro por um tecido da roupa, e teve parte do corpo dilacerada ao ser arrastada pelo asfalto por cerca de 350 metros.
Três policiais chegaram a ser presos após a ação no Morro da Congonha, mas foram soltos dias depois. Dois deles têm, no histórico, registros de homicídios decorrentes de intervenção policial, segundo a Polícia Civil. O subtenente Adir Serrano Machado consta como autor em 13 homicídios; enquanto o subtenente Rodney Miguel Archanjo tem três registros de homicídio; e o sargento Alex Sandro da Silva Alves não possui nenhum registro como autor de mortes.
O laudo do IML foi entregue na 29ª DP (Madureira). Os peritos afirmam que o tiro que atingiu Claudia provocou uma lesão grave, e ela morreu em poucos minutos. O laudo, porém, não informa quanto tempo depois do tiro Claudia faleceu.
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