Dois irmãos de um australiano sequestrado no Iraque imploraram nesta quarta-feira por sua libertação, dizendo à emissora árabe Al Jazeera que ele é um homem que ama sua família e respeita profundamente o povo iraquiano.
O apelo ocorreu depois de o chanceler australiano, Alexander Downer, aparecer no canal pedindo a libertação de Douglas Wood, 63, um engenheiro radicado na Califórnia e casado com uma norte-americana.
Malcolm e Vernon Wood, em declaração gravada na Austrália, disseram que seu irmão tem a saúde ruim e dedica-se muito à sua filha, aos dois enteados e aos dois netos
- Douglas respeita o povo do Iraque, seu espírito patriótico e seu direito à independência", disse Malcolm Wood, acrescentando que, se o refém for libertado, a família pedirá a ele que feche sua empresa de engenharia e deixe o Iraque.
- Não desejamos que Douglas, um homem que não está bem, permaneça no Iraque, longe de seus entes queridos. Nós, a família de Douglas, pedimos a seus sequestradores que o libertem ileso - disse.
A Austrália mandou uma equipe de especialistas a Bagdá para tentar libertar Wood. Downer disse à Al Jazeera que o refém tem um grave problema cardíaco e quer voltar para sua família.
- Pedimos às pessoas que o tomaram como refém que o libertem e não envolvam um homem que está apenas oferecendo assistência ao povo iraquiano, não o envolvam em política, apenas o libertem.
Um vídeo de dois minutos entregue no último domingo às agências de notícias em Bagdá mostrava Wood sob a mira de armas de fogo. Downer disse que o vídeo deve ser autêntico e que Wood teria sido sequestrado em seu apartamento de Bagdá por volta de sexta-feira.
Na fita, Wood pede aos Estados Unidos, à Grã-Bretanha e à Austrália que retirem suas tropas do Iraque.
Downer disse a uma TV australiana na terça-feira que 400 estrangeiros foram sequestrados no Iraque desde setembro de 2003, sendo que 30 foram mortos e 15 permanecem em cativeiro.
- "Neste caso, a exigência feita (no vídeo) é, evidentemente, uma exigência que os terroristas sabem que não será atendida - disse o chanceler.
A Austrália foi um dos primeiros países a se aliar aos Estados Unidos para a invasão do Iraque, há dois anos. Outros 450 soldados australianos devem chegar nas próximas semanas ao sul do Iraque, para reforçar a segurança e treinar o Exército local. Ao todo, o contingente australiano deslocado no Iraque soma 1.400 militares.
Há um ano, pesquisas mostraram que quase dois terços dos australianos consideravam injustificada a guerra do Iraque. Metade dos entrevistados considerava que não valia a pena o envio de tropas, enquanto 40% apoiavam a decisão do governo conservador.