Aquele torcedor aguerrido e com bastante dinheiro no bolso, que se dispuser a vibrar pelo Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, prepare-se. Poluição, falta de vôos, de ingressos e acomodações para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto de 2008, são apenas alguns dos pesadelos que irá enfrentar. Mesmo aqueles que estão com a passagem na mão, estão sujeitos a trajetos tortuosos e que podem requerer mais de um visto.
A Tamoyo, única agência de viagens do país credenciada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), vendeu quase todos os pacotes com direito a ingresso para a cerimônia de abertura da Olimpíada, que acontece entre 8 e 24 de agosto do ano que vem.
– Mandaram pouquíssimas entradas para o Brasil e nós já vendemos 80% dos pacotes. Até março deve acabar tudo – disse à agência inglesa de notícias Reuters Antonio Carlos Valente, sócio da agência.
A empresa espera levar até 1,2 mil turistas para Pequim-2008, quase o dobro do número dos Jogos de Atenas, em 2004, mas ainda negocia com companhias aéreas estrangeiras para atender aos clientes, que não podem contar com TAM, Varig e Gol para chegar ao Oriente nem com facilidades para obterem vistos para a fechada China.
– Temos convênio com Air Canadá e Air France e estamos negociando com South African, Emirates e Air China. As empresas ainda não têm tantos vôos para Pequim e a época das Olimpíadas é de turismo de alta temporada. Por isso são menos assentos e, provavelmente, preços maiores – disse Valente, cuja agência vende pacotes entre 6,5 mil e 17,6 mil dólares para os Jogos.
A vida dos que preferem dispensar pacotes turísticos para ir à Olimpíada não fica muito mais fácil nas companhias aéreas. A Air China, que oferece uma das passagens mais baratas para o trecho São Paulo-Madri-Pequim, já esgotou seus bilhetes para todo o mês anterior aos Jogos. A companhia aérea espera abrir novos vôos no primeiro trimestre do ano que vem, passando de três a cinco frequências semanais, segundo o gerente de vendas da empresa no país, Marcos Sousa. Mas os preços devem superar a atual faixa, perto dos 2 mil dólares, cobrados de quem teve a sorte e a precaução de comprar passagens antes de novembro.
– A Air China não vai colocar muitos vôos a mais porque não quer apenas atender à demanda dos Jogos Olímpicos, mas sim se consolidar no ano que vem. Não adianta colocar muitos assentos a mais e depois ter de voltar atrás – disse o executivo, que preferiu não especular sobre quais serão os preços das passagens da companhia aérea para os vôos extras.
Poluição
Se não bastasse a falta de infra-estrutura de transportes, alguns espectadores das Olimpíadas de Pequim em 2008 poderão ter graves problemas de saúde devido à poluição atmosférica, segundo um especialista da Organização Mundial de Saúde (OMS). Michal Krzyzanowski, médico da OMS, disse que aqueles que têm histórico de problemas cardiovasculares deveriam reconsiderar sua eventual visita às Olimpíadas.
Ele também afirmou que a baixa qualidade do ar em Pequim pode desencadear ataques de asma. O alerta foi feito no dia em que Pequim iniciou um projeto teste de rodízio, de quatro dias, que visa tirar 1,3 milhão de veículos das ruas da cidade. Durante o período de testes, os carros com placas que terminam em números ímpares serão proibidos de circularem por dois dias, revezando com carros cujas placas terminam em números pares.
O motorista que for flagrado desrespeitando as restrições será multado em 100 iuan (cerca de R$ 27,3 reais). Cerca de 6,5 mil policiais vão patrulhar as ruas. Se a estratégia funcionar será usada em agosto de 2008 para reduzir a poluição atmosférica e trânsito durante as Olimpíadas. Autoridades chinesas esperam que o rodízio reduza emissões em 40%.
Os moradores de Pequim, que foram instruídos a usar o transporte público durante o período de teste, parecem apoiar o projeto piloto.