A Suprema Corte paquistanesa afirmou nesta sexta-feira que o vencedor da eleição não será anunciado até que seja decidido se o general Musharraf pode concorrer à reeleição enquanto ainda ocupa o cargo de comandante das Forças Armadas.
Embora a comissão eleitoral do país tenha aceitado a candidatura, a Justiça pediu mais tempo para analisar os argumentos.
Complica a situação ainda mais o fato de que, segundo analistas políticos, Musharraf deve conseguir facilmente a reeleição – para isso ele tem que conseguir a maioria no Parlamento nacional e quatro assembléias provinciais que selecionam o presidente.
O juiz chefe da Suprema Corte, Javed Iqbal, disse à agência de notícias AFP que a corte decidiu por "unanimidade (...) que o processo eleitoral deve ocorrer como agendado e anunciado pelo comissário eleitoral. Mas a notificação final do candidato vencedor não será dada até a decisão desta petição, para a qual o processo deve se iniciar a partir de 17 de outubro".
Disputa
No final de setembro, a Comissão Eleitoral paquistanesa aprovou a candidatura de Musharraf à reeleição, apesar dos protestos e tentativas da oposição de impedir que ele participe da votação deste sábado.
Os ativistas e advogados que organizaram os protestos na capital Islamabad e em diversas outras cidades dizem que o general Musharraf não poderia concorrer à reeleição pelo fato de acumular as funções de presidente e chefe das Forças Armadas.
Na semana passada, a Suprema Corte já havia rejeitado uma série de petições da oposição e decidiu que o presidente Musharraf poderia se candidatar ao pleito e continuar à frente do Exército do país, o que levou a novas petições nesta semana.
Musharraf assumiu o governo do Paquistão em um golpe militar em 1999. Até agora, ele tem afirmado que a Constituição garante o direito de manter o cargo de comandante das Forças Armadas. Mas os advogados de Musharraf disseram que, se ele for eleito para um novo mandato, o presidente vai renunciar à chefia do Exército em novembro.
Partidos de oposição já ameaçaram se retirar do Parlamento em protesto.
Em meio a essa disputa, o Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, vem negociando um possível acordo de divisão de poder com o presidente. Uma das exigências para o acordo é justamente que Musharraf renuncie a seu cargo militar.
As eleições estão sendo observadas com atenção por vários, principalmente os Estados Unidos, que vêem em Musharraf um aliado.