Os lucros obtidos com a venda de CDs piratas e peças de automóvel falsificadas, entre outras mercadorias ilegais, são usados para financiar o terrorismo, afirmou a Interpol na terça-feira.
"A Interpol acredita que há uma ligação significativa entre a venda de produtos falsificados e o terrorismo em locais onde há atividade de grupos terroristas", disse o secretário-geral da rede policial, Ronald Noble.
"Acho absolutamente incrível o fato de haver esse problema multibilionário que afeta a segurança das pessoas e a segurança dos governos e que está ligado ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao terrorismo. Mas ninguém me pressiona para saber o que estamos fazendo no combate a esse problema", afirmou.
O comércio de produtos falsificados gerou, segundo estimativas, cerca de 450 bilhões de dólares em 2000. Os produtos vão de peças de carro e de avião a medicamentos, roupas, cigarros, CDs e filmes.
Bilhões de dólares são perdidos anualmente em impostos não recolhidos e em lucros não obtidos. Segundo a Comissão Européia (braço executivo da União Européia), o comércio ilegal é responsável pela perda anual de até 100 mil empregos na Europa.
Noble disse que a Interpol encontrou ligações entre o terrorismo e a venda de produtos falsificados no Oriente Médio, na Europa e na América Latina.
Autoridades da Interpol disseram esperar que a divulgação de informações sobre a ligação entre o terrorismo e a falsificação leve os consumidores a rejeitarem os produtos piratas, mais baratos.
"Espero fazer com que o público preste atenção nisso e reflita antes de comprar esses produtos", disse John Newton, da Inteligência Criminal.