Rio de Janeiro, 02 de Janeiro de 2026

Fachin encaminha pedido de Temer ao Plenário e manda periciar provas

A pedido de Fachin, os ministros do STF decidirão se mantém inquérito. A votação, na quarta-feira, poderá significar o fim do governo instalado após o golpe de Estado

Domingo, 21 de Maio de 2017 às 10:26, por: CdB

A pedido de Fachin, os ministros do STF decidirão se mantém inquérito. A votação, na quarta-feira, poderá significar o fim do governo instalado após o golpe de Estado

 

Por Redação - de Brasília

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin decidiu encaminhar à análise do plenário o pedido do presidente de facto, Michel Temer, para suspender o inquérito aberto contra ele na corte, informou a assessoria do STF, na manhã deste domingo.

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Fachin substituiu o mineiro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF)

O presidente é alvo de inquérito no STF por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Pesa sobre ele a investigação aberta com base na delação do empresário Joesley Batista, presidente da J&F e presidente do conselho da JBS.

Em despacho, neste sábado, o ministro também deferiu a realização de perícia das provas. Mandou analisar a gravação da conversa entre Temer e o empresário. Os autos foram encaminhados à Polícia Federal, segundo o Supremo. Dificilmente, no entanto, qualquer perícia terá o poder de anular as evidências.

O pedido de suspensão do inquérito será analisado pelo colegiado, em sessão na quarta-feira no STF.

Gravação

Ao enviar o pedido de abertura de investigação sobre o presidente ao STF, na semana passada, a PGR informou ao ministro Fachin que o áudio foi analisado de forma preliminar. “Sob a perspectiva exclusiva da percepção humana”, descreveu. Segundo o processo, "não houve auxílio de equipamentos especializados na avaliação dos áudios.

Na decisão em que autorizou a investigação contra Temer, Fachin não analisou a legalidade da gravação sob o ponto de vista de possíveis edições. O ministro entendeu que Joesley Batista poderia gravar sua conversa com terceiros.

Temer acusou Joesley Batista de especular contra a moeda nacional. Ele teria comprado US$ 1 bilhão antes de divulgar a gravação. Previu o “caos” que isso causaria no câmbio. Além disso, ele teria vendido ações de sua empresa antes da queda do valor na Bolsa de Valores.

— O autor do grampo está livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York. E o Brasil, que já tinha saído da mais grave crise econômica de sua história, vive agora, sou obrigado a reconhecer, dias de incerteza. Ele não passou nenhum dia na cadeia, não foi preso, não foi julgado, não foi punido, e pelo jeito não será — disse o suspeito.

Temer acrescentou que a acusação de corrupção passiva não se sustenta. Segundo afirmou, porque o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não decidiu em favor da JBS. Assim como pedidos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Petrobras não foram atendidos.

— Essa é a prova cabal de que meu governo não estava aberto a ele — concluiu.

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