Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente durante a gestão do ex-presidente Lula
A facção política liderada por Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está prestes a se esfacelar nos Estados onde o PSB, do ex-governador pernambucano Eduardo Campos – candidato à Presidência da República –, fechou acordos diversos, com partidos e líderes contrários aos objetivos da ambientalista. Marina deixou o Partido Verde em situação difícil, para tentar a estruturação de uma nova legenda, mas foi frustrada por não atingir o número mínimo de interessados no Rede Sustentabilidade, como passou então a se chamar o grupo político que ingressou no PSB, garantindo-lhe o posto de candidata a vice-presidenta na chapa de Campos. Diante de novas derrotas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o grupo ligado à ex-ministra amplificou os ataques às alianças estaduais do PSB e reforçou a divergência com a cúpula do partido, o que deixou os aliados de Campos ainda mais irritados.
João Paulo Capobianco, um dos principais interlocutores de Marina, afirmou a jornalistas, nesta terça-feira, que os acordos estaduais são "decepcionantes" e prejudicam a pré-candidatura à Presidência de Eduardo Campos (PSB).
– É decepcionante que isso esteja acontecendo. Tínhamos expectativa de um cenário diferente, com candidaturas fortes nos Estados, identificadas com o nosso projeto. É uma pena que o PSB não perceba que é prejudicial para a campanha (nacional). Falta palanque identificado com o nosso projeto nacional nos Estados – reconhece Capobianco.
De sua parte, os seguidores de Marina Silva, no grupo Rede Sustentabilidade, criticaram a aliança do PSB com o PSDB em São Paulo e com o PT no Rio de Janeiro. Em Minas, o diretório estadual impediu a candidatura de Apolo Heringer, apoiado por Marina, e estuda o apoio ao PSDB ou o lançamento do presidente do diretório, deputado Julio Delgado. De forma institucional, porém, o grupo procura minimizar o impacto das alianças estaduais sobre o projeto nacional do PSB e afirma que as derrotas para os interesses de Campos não representam o enfraquecimento da ex-ministra no posto que ocupa dentro da campanha e acredita que não haverá problemas quanto à oficialização da chapa, no próximo fim de semana.
– Não pode haver confusão entre os descaminhos do PSB nos Estados e a candidatura nacional. Não temos o controle do partido. Não somos da Executiva. Acabamos de chegar. (Os acordos estaduais) São uma opção equivocada que prejudica a campanha, a eleição, mas que não prejudica nossas propostas de modernização do país – disse o colaborador.
Capobianco acrescentou que, desde a filiação do Rede ao PSB, no ano passado, a influência dos "marineiros" sempre foi vinculada aos rumos do projeto nacional do partido.
– Isso está absolutamente preservado. O nosso programa de governo está sendo construído a quatro mãos – afirmou, referindo-se a Campos e Marina.
Segundo o porta-voz da facção Rede Sustentabilidade, Walter Feldman, a perda de controle de Marina sobre as alianças feitas pelo PSB não teria tanta importância assim.
– A campanha nacional não está vinculada às negociações estaduais – disse.
Nesta quarta-feira, o grupo de Marina marcou uma reunião, na capital paulista, para articular uma candidatura própria ao Senado no Estado, desvinculada da chapa de apoio ao governador do Estado e pré-candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB). O Rede estuda lançar Walter Feldman, tendo como suplente o próprio Capobianco. Seria uma forma de o Rede marcar posição em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Apesar de os marineiros desaprovarem a aliança com os tucanos, o diretório paulista aprovou por unanimidade o apoio ao governador, que tentará seu quarto mandato.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.