Ministro da Fazenda, Guido Mantega respondeu em Hamburgo, na Alemanha, durante seminário sobre oportunidades de investimentos no Brasil, às críticas feitas nesta semana ao país pelo economista Paul Krugman, da Universidade de Princeton, no Estado de Nova Jérsei (EUA). Segundo Mantega, Krugman pode ficar tranquilo porque o governo não permitirá que se criem bolhas e ele poderá continuar lucrando com seus investimentos no Brasil.
Na última terça-feira, Paul Krugman disse em São Paulo que o Brasil deve olhar com cuidado o aumento muito rápido do investimento financeiro do exterior. Ele citou exemplos de países que receberam, por um período, um fluxo muito alto de capitais e logo em seguida entraram em crise. Guido Mantega lembrou que a equipe econômica está atenta à valorização cambial e não descartou a possibilidade de novas medidas para garantir a estabilidade da moeda.
– Nós estamos atentos a exageros. Acreditamos ser o suficiente mexer no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Se necessário for, tomaremos mais medidas para garantir a estabilidade da moeda – afirmou.
O ministro garantiu ainda o cumprimento da meta de superavit primário de 2,5% em 2009 e de 3,3% em 2010. Ele reafirmou que a economia brasileira vai crescer 5% em 2010 e que o país será uma das poucas economias do mundo que crescerá mais de 2%. Mantega voltou a citar a expansão do mercado interno como um dos fatores que contribuiu para a recuperação do Brasil diante da crise financeira internacional.
Políticas fiscais
Ex-presidente do Banco Central, o economista Armínio Fraga, no entanto, acredita que a "máquina de bolhas" da economia mundial continua funcionando enquanto os formuladores de política econômica lutam contra a recessão com políticas fiscais e monetárias fáceis. Fraga, que também é presidente do conselho da BM&F Bovespa, acrescentou que as preocupações sobre a sustentabilidade da política fiscal em países desenvolvidos precisam ser administradas para evitar crises futuras.
Ele disse que os juros em recorde de baixa em muitos países desenvolvidos também estão ajudando a criar um excesso de liquidez para as economias emergentes que não foram tão afetadas pela crise.
– De muitas formas ainda temos uma máquinas de bolhas. Estamos tratando uma bolha com uma bolha – disse ele a jornalistas em Nova York antes de uma reunião do G30.
Fraga defendeu a estratégia do governo brasileiro de combater a recessão com gasto público, mas acrescentou que agora que a economia está se recuperando pode ser o momento de a política fiscal "tirar o pé do acelerador". Isso abriria espaço para o Banco Central reduzir mais o juro, segundo ele, e "seria uma forma muito eficiente de conter a apreciação do real".
O real se valorizou em mais de 30% até agora nesta ano, ameaçando exportadores, apesar de medidas do governo para conter fluxos "especulativos" externos.