Dizem que os egos do mundo da moda já destruíram muitas carreiras promissoras. Talvez por isso, Fabia Bercsek tenha feito sua estréia nesta segunda-feira, na São Paulo Fashion Week, invocando os antigos ensinamentos dos xamãs e o reencontro do homem com os elementos da natureza.
Uma platéia ansiosa espalhou-se por arquibancadas de uma das salas da Bienal para conferir os looks da estilista ao som de Cher, que inspirou Fabia por "viver os ciclos da vida e ter passado por mudanças de personalidade artística".
A nostalgia de um mundo mais compreensível e simples pontuou a coleção, que tirou do armário do tempo as batas, as polainas, os longos cabelos trançados e as saias rodadas e compridas.
O toque étnico-indígena ficou por conta de calças de couro, jaquetas e camisetas com franjas, além de enormes brincos e pingentes em forma de pena.
A estilista, que foi assistente de Alexandre Herchcovitch, utilizou-se da sobreposição de camisetas, camisas e malhas para passar uma sensação de conforto ao pé da fogueira. Também combinou tecidos, como veludo, algodão e organza, para transformar a mulher de vida mais rústica na exigente cidadã globalizada de nossos dias.
Em relação às cores, ela quebrou a seriedade do marrom e do cáqui com peças mais leves em lilás, salmão e amarelo.
Nos pés, botas de cano longo e salto revezaram-se com sandálias, ambas acompanhadas de polainas.
Uma leitura incomum, de referência indígena, do tradicional vestido de noiva surpreendeu -- e agradou -- a platéia ao final do desfile.