Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) encontraram na madrugada desta quarta-feira novos destroços do jato da Air France que desapareceu no Atlântico com 228 pessoas a bordo, após a confirmação de que a aeronave caiu no mar durante o trajeto Rio-Paris, informou uma fonte da FAB.
– A noite não passou em branco, foram encontrados mais destroços – disse a fonte à Reuters, acrescentando que não poderia dar mais detalhes antes que as famílias dos passageiros fossem comunicadas sobre as novas informações. Perguntada se foram encontrados corpos, a fonte afirmou: "Não, apenas destroços."
A confirmação de que os destroços do Airbus A330 foram encontrados foi dada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na tarde de terça-feira, após reunir-se com familiares dos passageiros no Rio.
De acordo com a Força Aérea, a quantidade e o tipo de material avistado - peças brancas, fiação e manchas de óleo dispersos por cerca de 6 quilômetros - levou à conclusão de que os destroços pertenciam ao Airbus que fazia o voo AF 447.
Os militares brasileiros, que entram no 3° dia de buscas, prosseguiram durante a madrugada a operação na área em que foram encontrados os primeiros destroços, a 150 quilômetros do local onde o Airbus A330 enviou uma mensagem automática informando que sofria problemas técnicos quatro horas após decolar na noite de domingo.
Uma aeronave de sensoriamento R-99 iniciou as buscas noturnas e, durante a madrugada, três aviões C-130 Hércules sobrevoaram a região.
Cinco embarcações da Marinha se dirigiam à região onde foram encontrados os destroços, incluindo um navio-tanque. A primeira delas, o navio patrulha Grajaú, deve chegar à região às 18h desta quarta-feira.
Inicialmente, a expectativa era de que o navio chegasse às 11h, mas essa estimativa foi adiada devido a condições climáticas que impedem que a embarcação se locomova a uma velocidade maior.
Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local e vai tentar localizar as caixas-pretas, que podem ajudar a descobrir as causas do desastre misterioso.
Investigações: Incerteza
Paul Louis Arslanian, chefe da agência de investigação de acidentes aéreos da França, demonstrou pessimismo sobre as chances de se encontrar as caixas-pretas e acrescentou que o inquérito sobre o acidente pode não revelar todas as razões para a queda do avião.
– Não posso descartar a possibilidade de que podemos acabar com um relatório relativamente insatisfatório em termos de certezas – disse Arslanian a repórteres.
– Mas vamos fazer o nosso melhor para limitar a incerteza – acrescentou.
Um primeiro relatório ficará pronto no final do mês. As investigações serão lideradas por Alain Bouillard, que também foi o responsável pelo inquérito sobre a queda do Concordo da Air France em 2000.
Arslanian revelou poucos elementos novos, confirmando apenas que a tripulação do voo AF447 tinha mandando uma mensagem por rádio informando que o avião passava por turbulência perto do equador e que a aeronave depois enviou uma série de mensagens automáticas num intervalo de três minutos reportando problemas de funcionamento. Ele não especificou quais seriam esses problemas.
– Por enquanto, não há indicação sugerindo que o avião tivesse problemas antes de decolar – acrescentou.
O ministro francês dos Transportes, Jean-Louis Borloo, disse à rádio francesas que as caixas-pretas do avião devem estar a uma profundidade entre 3.660 e 3.700 metros. De acordo com a Marinha do Brasil, a profundidade do mar na região é de 2.000 a 3.000 metros.
– Nunca recuperamos caixas-pretas nessa profundidade antes... e as correntes marítimas são fortes tão longe assim – disse ele.
O submarino francês não-tripulado só deve chegar ao local onde os destroços foram encontrados na próxima semana. As caixas-pretas são feitas para enviar sinais de localização por até 30 dias quando estão na água.
Três navios mercantes, dois holandeses e um francês, estão desde terça-feira no local indicado pela FAB colaborando nas buscas.
O voo AF 447 tinha 216 passageiros a bordo de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.
FAB encontra mais destroços do AF 447 no Atlântico
Quarta, 03 de Junho de 2009 às 07:21, por: CdB