A investigação técnica da Aeronáutica concluiu que não procedem duas das principais hipóteses sob análise de desligamento acidental do transponder do jato Legacy. Segundo a FAB, os pilotos norte-americanos, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, não desativaram acidentalmente o equipamento com o pé ou com a tampa do laptop que usavam na cabine. O acidente do vôo 1907 já tem mais de um ano.
Em nota oficial emitida na segunda-feira, a FAB diz também que "não há indícios de que ocorreu ação intenc (stand-by). O texto não cita outras possibilidades de o equipamento ter sido desligado acidentalmente.
A comissão internacional chefiada pelo Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) se reúne nesta semana em Brasília para fechar detalhes do relatório final da colisão, que deixou 154 mortos.
Já existe um processo na Justiça Federal e uma denúncia na Justiça Militar contra controladores e pilotos americanos pelo acidente. Porém, esta é a primeira conclusão oficial da investigação técnica, que apontará causas e fatores contribuintes, sem indicar culpados.
Sem o transponder, o controle aéreo não pôde detectar que o jato voava em rota de colisão com o Boeing. Também impediu o acionamento do TCAS (sistema de alerta anticolisão).
O comunicado refuta alguns argumentos de que o desligamento ocorreu por "displicência" dos pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino. Mas não elimina outras responsabilidades, como a verificação de plano de vôo e o contato de rádio.
A nota não cita um achado preliminar já divulgado: não foi detectada falha elétrica ou eletrônica do transponder, em análise no laboratório da fabricante, a Honeywell.
A hipótese de esbarrão acidental do pé direito do piloto nos botões no painel virou uma controvérsia entre Brasil e EUA. A FAA (agência de aviação civil dos EUA) emitiu boletim de alerta para pilotos sobre esse risco em jatos da Embraer equipados com "descanso de pés" na cabine. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) refutou a tese com um estudo.
O Cenipa agora diz que isso não teria ocorrido. Primeiro, não há ruído na caixa-preta para indicar que a cadeira do piloto foi recuada para permitir o uso do descanso. Segundo, há uma proteção entre a sola do sapato e o painel. Finalmente, mesmo "flexionando e contorcendo o pé direito" os botões relevantes não são alcançados.
A tese do laptop também foi derrubada porque ele estaria sendo usando pelo co-piloto, no lado direito. Portanto, a tampa não poderia ter batido acidentalmente nos botões.
FAB diz que <i>transponder</i> do Legacy não foi desligado acidentalmente
Terça, 27 de Novembro de 2007 às 16:03, por: CdB