O Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) determinou, a abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos sargentos envolvidos no acidente entre o jato Legacy e o Boeing da Gol. A colisão deixou 154 mortos em 29 de setembro do ano passado.
A decisão dos militares não interfere no processo criminal em tramitação na Justiça Federal de Mato Grosso. A Força Aérea não confirma, mas tudo indica que os alvos do IPM devem ser os mesmos quatro controladores já citados no inquérito da Polícia Federal.
O IPM era cogitado pelo alto comando da Aeronáutica desde a tragédia do vôo 1907. Mas, para evitar prejuízos à investigação aeronáutica, que tem como objetivo identificar e corrigir eventuais falhas técnicas e de procedimentos, optou-se por esperar.
- Mais cedo ou mais tarde isso teria de ser feito - disse um oficial da Aeronáutica, que integra o Sistema de Controle do Espaço Aéreo. - O erro foi cometido por militares, dentro de uma unidade militar e enquanto prestavam serviço público. Se a Força não tomasse uma providência, poderia ser acusada de prevaricação (crime cometido por funcionário público, que consiste em deixar de praticar ato de ofício) - avaliou outro oficial.
Também pesou na decisão do alto comando de retardar a abertura do IPM a série de denúncias feitas nos últimos meses pelos controladores de tráfego aéreo. Representantes da categoria alegam que deixaram de agir, pois foram induzidos a erro pelas constantes panes nos equipamentos. Embora estivessem convictos de que radares e sistemas de rádio não falharam no dia da colisão, os militares da FAB consideraram mais prudente aguardar o resultado das investigações. - Depois que tivemos essa confirmação, não havia mais motivo para cautela - comentou um militar da Aeronáutica.