Mehmet Ali Agca, o homem que atirou no papa João Paulo II em 1981, foi libertado de uma prisão em Istambul, na Turquia, nesta quinta-feira. Ali Agca estava preso em Istambul desde que foi extraditado da Itália, em 2000, depois de ter passado 19 anos nas prisões do país. O advogado do turco de 48 anos afirmou que Ali Agca pretende "trabalhar pela democracia" depois de sua libertação, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
O atentado contra o papa aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 1981. O próprio pontífice católico perdoou o turco publicamente e o visitou na prisão. O autor do atentado também foi perdoado pela Justiça italiana em 2000, quando foi extraditado para a Turquia e preso por outros crimes que cometera no país, dois assaltos a bancos e o assassinato de um jornalista turco de esquerda. Na semana passada, um tribunal turco aprovou um documento afirmando que Ali Agca já completou a pena por esses crimes.
Na época do atentado contra o papa, Ali Agca tinha 23 anos e era um criminoso conhecido na Turquia, com trânsito entre paramilitares turcos de extrema-direita. A motivação para o ataque permanece um mistério, mas existem suspeitas de envolvimento da KGB soviética, do serviço secreto da antiga Alemanha Oriental, a Stasi, e o órgão da Bulgária. Um dos juízes mais importantes da Itália nos anos 80, que chegou a julgar o caso do atentado contra o papa, Ferdinando Imposimato, afirmou na quarta-feira que a vida de Ali Agca pode estar sob perigo por causa de supostos segredos que ele manteria.
Imposimato está convencido de que houve envolvimento do bloco comunista, já que na época o papa pregava uma mensagem que ia de encontro à ideologia coletivista soviética.
- Acho que o governo turco deveria garantir a segurança de Agca, porque ele sabe tantos segredos que pode ser assassinado. O mais seguro seria mantê-lo na cadeia - afirmou o juiz.
Ali Agca disparou várias vezes contra o papa quando ele desfilava em carro aberto pela Praça de São Pedro. O religioso sofreu ferimentos graves no abdômen e na mão. Nas palavras do próprio João Paulo 2º, ele "sobreviveu por pouco". No entanto, dois anos depois ele fez questão de visitar o turco e perdoá-lo publicamente.