Judeus extremistas contrários ao plano de retirada da Faixa de Gaza, defendido por Ariel Sharon, podem estar planejando o assassinato do premiê israelense, disseram importantes autoridades nesta quarta-feira.
Declarações exaltadas de alguns rabinos de direita e a atmosfera de extremismo alimentada por opositores do "desengajamento" da Faixa de Gaza intensificaram os rumores sobre uma tentativa de assassinato de Sharon, no passado um defensor implacável dos colonos.
O ministro israelense da Segurança Interna, Tsahi Hanegbi, disse que a maior ameaça seria um assassino tentar atingir Sharon como fez o judeu ultranacionalista Yigal Amir em 1995 com o então premiê Yitzhak Rabin. Rabin foi alvejado quando saía de um comício pela paz e acabou morrendo em consequência dos tiros.
"A preocupação é com... a ação de um único assassino, que assuma para si a responsabilidade de redimir Israel e que se decida por realizar essa ação", disse Hanegbi à rádio do Exército. Sharon perdeu o apoio da ala pró-assentamentos de Israel depois de ter anunciado seu plano de desocupar todas as 21 colônias judaicas da Faixa de Gaza e quatro das 120 existentes na Cisjordânia até o final de 2005.
Os palestinos enxergam o plano como uma manobra do governo israelense para se apoderar definitivamente de parte importante da Cisjordânia, ocupada pelo Estado judaico desde 1967.
Desde o anúncio do plano de Sharon o Shin Bet (serviço secreto do país) intensificou o aparato de segurança em torno do premier.
"Não há uma ameaça específica. Mas, em vista da atmosfera do país e da radicalização dos direitistas, identificamos um perigo maior (para Sharon)", disse um membro do Shin Bet.
"O próximo assassinato está às portas de nossa casa", afirmou Carmi Gillon, que chefiou o Shin Bet em 1995.
A preocupação aumentou depois de um importante rabino pró-assentamentos ter divulgado um édito religioso na semana passada afirmando ser permitido matar qualquer pessoa enviada para retirar os judeus de suas terras.
Pesquisas de opinião mostram que a maior parte dos israelenses é favorável à retirada dos 7.500 colonos da Faixa de Gaza, região onde moram 1,3 milhão de palestinos.