Sendero Luminoso, um dos grupos guerrilheiros mais violentos das últimas décadas na América Latina, voltou a atuar no Peru. Em uma entrevista ao jornal La República, um homem que disse ser o líder rebelde no Vale do Huallaga assegurou que o grupo Sendero Luminoso reiniciou a luta armada. O "camarada Artemio", cuja identidade é desconhecida, disse ao jornal que o grupo volta com o objetivo de exigir do governo peruano uma saída negociada para os problemas derivados do conflito interno. E fez uma ameaça: que retomaram as ações se o governo se negar a dialogar.
Na entrevista, Artemio explicou que os integrantes do grupo pediram ao governo anistia para os "prisioneiros políticos e de guerra", seus companheiros de armas e os "inocentes encarcerados", além de solução para os casos de desaparecidos, exilados e as vítimas da violência no país.O homem reconheceu, na entrevista, atentados que deixaram nove pessoas mortas desde junho de 2004 e disse que continuarão com sua "guerra civil" e os "aniquilamentos seletivos", segundo informações da imprensa local.
História de violência
O Sendero Luminoso é um dos grupos guerrilheiros mais violentos das últimas décadas na América Latina. Em 2002, foi responsável pela morte de 10 pessoas quando detonou um carro bomba em Lima, perto da embaixada dos Estados Unidos. Em 2003 os guerrilheiros seqüestraram 71 trabalhadores de uma firma argentina na selva peruana d que foram liberados horas depois.
O grupo teve seu apogeu entre 1980 e início da década de 1990, e sua luta, paralela à da guerrilha do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), causou aproximadamente 69 mil mortos e desaparecidos, segundo dados oficiais. A violência política causou cerca de 70 mil mortes nas últimas duas décadas e Sendero Luminoso foi responsabilizado por 54% das vítimas. O grupo ficou dizimado com prisão de seus principais dirigentes nacionais, incluindo líder Abimael Guzmán.
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