Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Exposição mostra 300 imagens de Marc Ferrez

Terça, 02 de Agosto de 2005 às 12:38, por: CdB

O fotógrafo brasileiro Marc Ferrez tem sua trajetória profissional distribuída na exposição <i> O Brasil de Marc Ferrez</i>, e o mais inusitado é que a medida que ela expõe um artista crescente e evolutivo, também revela um Brasil em transformação.

Somando seu talento à época em que viveu (1843-1923), Marc Ferrez teve a chance de retratar diferentes Brasis; o ainda rural e o cada vez mais urbano; o das gentes pobres do interior e o das gentes pobres das cidades em crescimento; o imperial, em que a maior parte dos fatos se dava na esfera privada, e o republicano, quando começou a existir, justificando o nome do regime, uma esfera pública.

É esse país em movimento que se contempla nas 300 fotos de <i>O Brasil de Marc Ferrez</i>, que permanece no Instituto Moreira Salles até o dia 23 de outubro para o público.

É o maior conjunto já exposto de registros feitos por um dos maiores fotógrafos brasileiros, carioca filho de franceses.

A exposição foi uma semana depois de ter sido descoberto o sumiço de fotos de Marc Ferrez do setor de iconografia da Biblioteca Nacional.

A situação atenta para uma triste situação: fotos deixadas pelo imperador D. Pedro II para a biblioteca sumiram por causa da negligência dos responsáveis pela instituição pública; fotos guardadas pela família de Ferrez foram compradas por um instituto privado e estão a salvo.

- Compramos em 1998 a coleção Gilberto Ferrez, neto de Marc, e ainda adquirimos fotos de outras coleções particulares. Temos, certamente, o maior conjunto de fotos de Marc Ferrez que existe. Essa exposição é apenas uma fração do que se pode fazer com esse material impressionante - explicou Antonio Fernando De Franceschi, superintendente do IMS e curador, ao lado de Sergio Burgi.

Ele afirmou que não há possibilidade de haver duplicidade entre as imagens sumidas da biblioteca e as que são do IMS, já que há conjuntos diferentes de originais.

Para <i>O Brasil de Marc Ferrez</i>, Franceschi disse que não tentou fazer uma seleção ao estilo <i>o melhor de</i>. A tarefa seria quase irrealizável, já que o IMS tem 5.500 fotos de Ferrez, 4.000 negativos originais de vidro.

- Procuramos fazer um recorte amplo e variado, que atravessasse de modo diagonal a obra. Há uma diversidade de temas, estilos e épocas - ressaltou.

Há desde fotos do início da carreira de Ferrez, nos anos 1860, quando a pesada aparelhagem precisava ser carregada em lombo de mula, até imagens posteriores a 1915, quando ele já usava, pioneiramente, a técnica do autocromo, fotos coloridas, já feitas por máquinas portáteis.

- Ao acompanhar a trajetória de Ferrez, também acompanhamos as inovações tecnológicas que surgiam década a década, e as transformações estéticas que elas proporcionavam - disse o curador.

Se nos primórdios era impossível, por exemplo, captar a instantaneidade de fenômenos como a água caindo de uma cachoeira, com o tempo Ferrez foi tendo condições de se tornar o maior fotógrafo das paisagens brasileiras.

- Ele registrou, na década de 1880, um momento de harmonia suprema na história da baía de Guanabara, quando ainda havia equilíbrio entre o natural e o construído. Depois, no início do século 20, acompanhou a chegada da modernidade ao Rio, fotografando toda a obra da avenida Central - lembrou Franceschi, referindo-se à atual avenida Rio Branco, inaugurada em 1905 como símbolo maior das reformas feitas por Pereira Passos, inspiradas em Paris.

Na Marinha Imperial e na Comissão Geográfica e Geológica do Império, Ferrez pôde percorrer o país, fotografando campos, estradas de ferro e cidades.

Mesmo tendo se consagrado como um paisagista, Ferrez também foi um excelente retratista. Fotografou índios no Mato Grosso e outros personagens do interior.

No Rio, enquadrou mascates, amoladores de facas, costureiras e trabalhadores de r

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