Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Exposição homenageia escultor ítalo-brasileiro

Segunda, 01 de Agosto de 2005 às 11:52, por: CdB

O centenário artista plástico Bruno Giorgi recebe homenagem na exposição <i>Bruno Giorgi (1905-1993)</i>, que propõe uma visão muito mais ampla da obra de um dos maiores escultores brasileiros. A mostra será aberta a convidados, nestas terça e quarta-feiras, mas para o público em geral, ela vai até o dia 29 de outubro.

A casa/galeria Pinakotheke Cultural foi totalmente adaptada para abrigar 80 peças de Giorgi, dos mais variados tamanhos e materiais, e ainda reconstituir em uma sala o ateliê que o artista modernista trabalhava em Petrópolis.

- Graças à família de Bruno, remontamos a casa-ateliê dele, com todas as suas ferramentas, seus objetos, o prato em que ele comia biscoitos Maizena enquanto trabalhava, sua xícara - conta Max Perlingeiro, dono da Pinakotheke, curador da exposição e amigo de Giorgi desde 1972.

Ele se orgulha da diversidade que forma a homenagem, espantando a idéia de que Giorgi era um homem só de mármores e bronzes.

Logo na primeira sala, há exemplares em madeira, terracota e pedra-sabão. É possível ver, por exemplo, uma cabeça de Mario de Andrade em terracota.

Foi Mario quem escreveu que o <i>Monumento à Juventude Brasileira</i>, criado por Giorgi nos anos 40 para o conjunto do edifício do Ministério da Educação e Cultura (palácio Gustavo Capanema), no Rio, era a mais importante escultura brasileira. Três versões do monumento estão na ala de bronzes da mostra.

A sala dos mármores abriga nove toneladas divididas em 25 obras, entre elas famosos <i>Torsos Femininos</i>, em que Giorgi extraía delicadeza da pedra, e duas versões do <i>Condor"</i> escultura que fica na praça da Sé, em São Paulo.

Nos jardins da Pinakotheke ainda se encontram três esculturas gigantes, como a <i>Pedra Miliar</i>, que tem dois metros de altura e quatro toneladas.

- Infelizmente, seria impossível transportar peças desse porte para São Paulo. E teríamos que fazer como no Rio: adaptar completamente a casa para a exposição - explicou Perlingeiro, lamentando que as obras não possam chegar à Pinakotheke paulistana, onde realizou mostras de Pancetti e Portinari, e na qual exporá telas de Guignard em setembro.

Para ele, um painel amplo como o da mostra permite ao espectador ver o quão diversificado era Giorgi, que experimentava vários suportes e escalas e conseguia casar a suavidade das linhas com as quais traçava corpos de mulheres e o vigor dos momentos políticos.

- Bruno era um anarquista, que só escapou do fascismo, quando morava na Itália, porque tinha passaporte brasileiro. Era uma pessoa extremamente generosa - afirmou Perlingeiro.

Será lançado amanhã um livro sobre o escultor, com textos de Ferreira Gullar, colunista da Folha, Oscar Niemeyer e outros.

A exposição <i>Bruno Giorgi (1905-1993)</i> acontece na Pinakotheke Cultural, na rua São Clemente, 300. O público pode visitá-la a partir desta quarta-feira e fica até o dia 29 de outubro, de segunda a sexta, das 10h às 20h e aos sábados, das 10h às 18h.

A entrada é franca, mas para quem quer saber mais sobre a obra do escultor, o livro custa R$ 80. Maiores informações no telefone: (21) 2537-7566

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