Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Exposição de Iole de Freitas é atração no CCBB até setembro

Segunda, 25 de Julho de 2005 às 10:47, por: CdB

A escultora mineira Iole de Freitas apresenta obras inéditas, feitas exclusivamente para as quatro salas que sua exposição ocupa no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio Janeiro, até do dia 11 de setembro.

O trabalho marca uma nova fase da artista, conhecida por criar esculturas em grandes dimensões de chapas de policarbonato e tubos de aço, entre 6 e 10 metros de comprimento.

Sua obra mostra o domínio e equilíbrio entre peso e leveza, cálculo e imaginação, translucidez e os infinitos matizes de branco.

A exposição propõe uma reflexão sobre o espaço ocupado pela obra de arte, sua escultura se "desmancha" ao invés de se impor como objeto. A obra se revela, enquanto conjunto de elementos, justapondo-se e relativizando-se.

- Os objetos, em vez de se adicionarem ao espaço, como normalmente fazem as esculturas, nele se dissipam, transformando-o num campo de forças que se faz sentir para além da objetividade empírica que cada um deles carrega - explicou Sonia Salzstein, curadora do evento.

Iole de Freitas é considerada uma das mais importantes escultoras brasileiras. Sua carreira começou na década de 70, quando morava em Milão, na Itália. Foi influenciada pela contracultura e pelos movimentos de arte povera e body art.

Das performances que realizava na época, em que ao mesmo tempo que era protagonista participava como espectadora, mantém a percepção aberta para a reação do espaço e do público à intervenção do artista.

A exposição do CCBB marca a volta da artista à cidade onde vive. Este ano, ela já montou a instalação Páginas Invisíveis, como parte do projeto Amigos da Gravura no Museu do Açude.

Mas desde 2000, quando realizou uma mostra no Centro de Arte Hélio Oiticica, o Rio não assistia a uma nova exposição da artista.

Nos anos seguintes, ela esteve no Museu de Arte Moderna de Oxford, na Inglaterra, no Centro Universitário Maria Antônia, na USP (São Paulo), no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília e no Museu Vale do Rio Doce, em Vila Velha, no Espírito Santo.

Seu atual trabalho resume o percurso de constituir uma experiência espaço-temporal, livre do peso e da massa e rejeitando a ilusão de tridimensionalidade do espaço.

- Seus estudos de espaço indicam que a artista deseja abdicar mais radicalmente ainda da dimensão objetual da escultura, concebendo-a como um feixe de pontos de vista móveis, descentralizados, aptos a reconstruir permanentemente o lugar do sujeito - analisa Sonia.

Visitar a exposição é uma experiência que permite ao espectador questionar a relação de temporalidade moderna e a definição entre espaços internos e externos.

Iole de Freitas - exposição
CCBB Rio - 2º andar
De 11 de julho a 11 de setembro
Entrada Franca
Rua Primeiro de Março 66. Centro
Tel.: (21) 3808-2020
E-mail: ccbbrio@bb.com.br

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