Da Baixada Fluminense para o Centro: Sesc Rio apresenta a exposição que conta a história deste lugar. As primeiras sesmarias concedidas pelo Rei para implementar a ocupação da Baixada Fluminense e assim limitar as constantes invasões ao território do Rio de Janeiro datam de 1558. A igreja participou ativamente deste processo, catequizando índios e fundando freguesias. E assim se deu a ocupação da região, cuja história, até os dias de hoje, estará sendo contada na exposição "Baixada em Destaque".
A exposição está em cartaz no Museu Histórico Nacional, no Centro do Rio, a partir do dia 18 de outubro. O público poderá contemplar todos os aspectos históricos, culturais, econômicos e sociais através de fotografias, objetos de época e cenografia. Na primeira semana a entrada é franca.
Entre as peças que remetem ao período de colonização da Baixada Fluminense, uma funerária da época dos índios Tamoios do século XVI; moenda de cana que era utilizada pelos escravos do século XVII; a âncora de uma embarcação (falua) que navegava pelo Rio Iguassú; imagens sacras do período barroco e objetos do tempo da Guerra do Paraguai. Já no setor de fotografias, destaque para um retrato do Armazém Transmontano, da década de 20, em São João de Meriti, estabelecimento que deu origem ao maior império de supermercados do Rio de Janeiro, a Casas Sendas .
Desde a colonização até os dias atuais, a Baixada Fluminense viveu momentos de grande importância histórica que se confundem com a própria história do Brasil. Os exemplos são muitos. O "caminho do ouro" - quando o ouro e pedras preciosas saíam de Minas Gerais e eram levados para portos fluminenses - tinha passagem obrigatória pela Baixada. A primeira ferrovia brasileira foi inaugurada em 1854, partindo a locomotiva "Baronesa" da Estação de Guia de Pacobaíba, em Magé, um dos municípios da região, até Raiz da Serra, seguindo depois para Petrópolis. O cultivo de café, cana-de-açúcar e laranja - Nova Iguaçu já foi o maior produtor nacional - emprestavam prestígio e riqueza à Baixada. Transitavam pelos rios e portos da região, boa parte das mercadorias que abasteciam o Estado. O SESC Rio é um dos organizadores do evento.
A população
A população é heterogênea e composta por povos de diversas origens raciais e culturais. Todos os continentes estão aqui presentes, formando um mosaico de tendências culturais, manifestadas nas artes, na língua, nos comportamentos sociais, na política e na economia. A baixada é urbana na configuração e ocupação do espaço, porém, neste mesmo espaço convive com práticas agro-pastoris. Está exposta às influências massiva da mídia e ao mesmo tempo convive com camadas populacionais de cultura eminentemente urbana com todos os valores da sociedade industrial e de consumos refinados.