A atividade industrial paulista cresceu 1,7 por cento em janeiro, com ajustes sazonais, impulsionada pelas exportações, informou a Fiesp nesta quinta-feira.
A expectativa é que a indústria de São Paulo possa crescer até 5 por cento este ano, mas a política monetária apertada deve adiar para o final do ano a retomada mais forte da atividade.
"É a manutenção da tendência de discreta retomada observada desde o último trimestre do ano passado, e é decorrente principalmente de setores exportadores ou de setores relacionados a exportações", disse Claudio Vaz, coordenador do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
"Os setores veiculados ao mercado interno ainda não se recuperaram", acrescentou.
Em relação a janeiro de 2003, o Indicador do Nível de Atividade (INA) teve alta mais expressiva, de 3,3 por cento -- a maior para janeiro nesse tipo de comparação desde 2001. Vaz lembrou que essa taxa ocorre sobre uma base fraca, já que em janeiro do ano passado havia muitas incertezas com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem ajuste sazonal, o índice subiu 1,8 por cento em janeiro contra dezembro. A Fiesp informou ainda que as vendas reais da indústria subiram 1 por cento em janeiro sobre dezembro e saltaram 15 por cento contra janeiro do ano passado.
A utilização da capacidade instalada subiu para 80,6 em janeiro, contra 79,6 em janeiro de 2003. O salário real médio do trabalhador da indústria, no entanto, caiu 1,3 por cento contra dezembro e aumentou 5,3 por cento contra janeiro de 2003, segundo dados sem ajuste sazonal.
Vaz previu uma retomada do salário médio "nos próximos meses". Entre os setores que mais cresceram em janeiro na comparação com dezembro sem ajuste sazonal estiveram Material de Transporte, com avanço de 7,5 por cento, e Têxtil, com alta de 10,7 por cento.
Vaz prevê um crescimento da indústria paulista este ano de 4 a 5 por cento, mas ressaltou que diante dos juros estáveis no início do ano, a previsão de uma performance mais forte do setor foi adiada para o final do ano.
"As medidas do governo estão influindo nessas expectativas, adiando a previsão de recuperação (sustentável da indústria)... Pode crescer, é só o governo não atrapalhar."
Por temor de um repique inflacionário, o Banco Central manteve em janeiro e fevereiro a taxa de juros em 16,5 por cento ao ano, interrompendo uma seqüência de sete meses de corte na Selic.
A Fiesp revisou o número do crescimento da indústria de São Paulo em 2003, com base nos novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento foi revisado para baixo de 1,2 para 0,8 por cento.