As exportações da China subiram 48,5% em maio sobre igual mês de 2009 e as importações avançaram 48,3%, informou o governo nesta quinta-feira, em linha com as previsões dos analistas. Segundo cálculos da agência inglesa de notícias Reuters, isso significa um superávit comercial de US$ 19,5 bilhões, comparado a um saldo positivo de US$ 1,7 bilhão em abril. Economistas consultados pela Reuters previam alta das exportações de 32% e avanço das importações de 45%, com superávit de US$ 8,8 bilhões. Em relação a abril, sem ajuste sazonal, as vendas externas subiram 9,9% e as importações recuaram 5,1%.
O superávit comercial chinês também disparou em maio, aproximando-se dos US$ 20 bilhões, em meio a pressões dos parceiros do primeiro exportador mundial para que valorize a moeda local, o yuan. Em março, o superavit do país foi de US$ 19,53 bilhões, muito acima de US$ 1,68 bilhão, em abril. Tanto as exportações como as importações também se fortaleceram em relação a maio de 2009, um ano considerado atípico, no qual o comércio exterior chinês viu-se muito prejudicado com a recessão econômica mundial e a consequente redução da demanda.
– O forte crescimento das exportações e do superavit não passará despercebido em Washington – comentou nesta quinta-feira Brian Jackson, analista no Royal Bank of Canada.
Os Estados Unidos, que sofrem um deficit comercial crônico com Pequim, é o país que ataca com mais ênfase o câmbio baixo, que torna as exportações chinesas mais baratas e, portanto, mais competitivas. Agora que a China retomou a via do crescimento forte, estas pressões tornam-se mais insistentes. O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, voltaram à carga sábado passado em Busan (Coreia do Sul) e nesta quinta-feira.
– Está claro que é preciso fazer alguma coisa a propósito do yuan – declarou Strauss-Kahn.
No final de maio, o presidente chinês, Hu Jintao, deixou entrever uma retomada "gradual" da reforma do sistema chinês de câmbio, bloqueada há quase dois anos. Ele não fixou nenhum prazo, no entanto. No verão de 2008, as autoridades de Pequim ancoraram de fato o yuan ao dólar, bloqueando assim o movimento de valorização lento mas certo, em relação à moeda norte-americana (21%) dos três anos anteriores.
Outros analistas esperam um gesto da China para a cúpula do G20, o grupo dos principais países industrializados e emergentes do planeta, no final de junho no Canadá. A crise do euro, que já perdeu 20% de seu valor em relação ao dólar nos últimos seis meses, dá, no entanto, novos argumentos aos dirigentes chineses, que não demonstram pressa em valorizar a moeda, para evitar um encarecimento das importações chinesas.
Ainda assim, a realidade é que o yuan sobe de fato ante um euro em queda livre, mas sem causar erosões à competitividade das exportações chinesas à Europa, destino de 20% delas, e onde a demanda por esses produtos "manteve-se forte" em maio, segundo Wang Qing, economista da Morgan Stanley.
Reação das bolsas
As bolsas de valores da Ásia subiram nesta quinta-feira, reagindo a dados melhores que o esperado da China e a comentários do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que a recuperação econômica norte-americana está em ritmo sólido. Na véspera, Bernanke disse à Câmara dos Deputados dos Estados Unidos que a recuperação do país está nos trilhos, mesmo prevendo uma demora na retomada dos empregos. Ele acrescentou que embora uma nova recessão "nunca deveria ser inteiramente descartada", ele espera a continuidade do crescimento.
O índice MSCI de ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão subia 1%, para 374 pontos nesta manhã. As exportações da China subiram 48,5% em maio sobre igual mês de 2009 e as importações avançaram 48,3%, informou o governo nesta quinta-feira, confirmando dados que vazaram na véspera e que já haviam animado os mercados.
A bolsa de Tóquio teve alta de 1,10%, para 9.542 pontos, recuperando-se da mínima em seis meses da véspera. Operadores ressaltaram, no entanto, que investidores estrangeiros venderam ações em meio à continuidade das preocupações com a crise da Europa.
– Com a crise de dívida europeia, ainda há cautela sobre seu impacto das exportações chinesas – disse Zhang Gang, analista do Central Securities.
Hong Kong fechou com variação positiva de 0,06%, para 19.632 pontos. Em Sydney, a alta foi de 1,14%, para 4.435 pontos, liderada por papéis de matérias-primas em razão dos maiores preços dos metais, que também foram impulsionados pelos dados chineses. Fortes números de emprego australianos também animaram. A bolsa de Seul registrou variação positiva de 0,27%, para 1.651 pontos. Cingapura subiu de 1,23%, para 2.779 pontos. Taiwan ganhou 1,56%, para 7.181 pontos. Por outro lado, Xangai caiu 0,82%, para 2.562 pontos, em uma realização de lucros após os ganhos da véspera.