As exportações fluminenses totalizaram em maio último US$ 959,5 milhões, o que representou o maior valor mensal do ano, de acordo com o boletim Rio Exporta, divulgado nesta quinta-feira pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), nesta sexta-feira. O resultado fez o saldo comercial voltar a ficar positivo, atingindo US$ 95,6 milhões. O chefe da Divisão de Estudos Econômicos da Firjan, Patrick Carvalho, afirmou que isso se deve ao fato de o Estado do Rio estar se recuperando frente à crise internacional.
– A gente percebe que está havendo um crescimento favorável na margem, gradual, das exportações fluminenses, assim como ocorre na produção e nas vendas nacionais – disse.
Apesar disso, os embarques fluminenses em maio mostraram queda de 57,3% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Essa foi a redução mais expressiva em dez anos, destacou o boletim. Carvalho lembrou que os números apurados agora ainda se mostram bem abaixo dos de maio de 2008 devido ao forte ajuste ocorrido no final do ano passado.
– Principalmente porque em 2008 houve uma greve dos auditores fiscais, que acabou em maio, elevando sobremaneira a base de comparação sobre 2009. Por isso é que, apesar do maior valor do ano, as exportações fluminenses ainda registram uma forte redução frente ao mesmo mês do ano passado – comentou ele.
A greve dos auditores da Receita Federal foi iniciada em março de 2008. O economista acredita, contudo, que a tendência é de recuperação para os próximos meses.
– É uma tendência positiva de encaminhamento para a normalização do quadro fluminense de produção, vendas e exportações, apesar da crise internacional estar muito severa lá fora – afirmou.
A indústria extrativa mineral seguiu sendo o destaque das exportações do estado do Rio em maio, alcançando quase US$ 604 milhões.
– O carro-chefe das exportações fluminenses é o petróleo, que corresponde em torno de 63% dos embarques totais do Estado – contabilizou.
A despeito da concentração em petróleo, Carvalho assegurou que a pauta de exportações do Rio de Janeiro é bastante diversificada. Ele revelou que a indústria metalúrgica voltou a se mostrar como uma boa exportadora do Estado, concentrando aumento significativo no acumulado do ano (29,7%). O boletim referente a maio deu seguimento aos estudos setoriais com destaque no mercado internacional, iniciados no mês passado. O primeiro setor abordado foi o de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, cujas vendas ao exterior mostram crescimento de 1.000% nos últimos dez anos.
Nesta edição, a Firjan analisou a indústria fluminense de vestuário. Os dados confirmam que o Rio de Janeiro vem se firmando como um pólo exportador e produtor de peças de vestuário. Carvalho afirmou que, em 2000, o Rio de Janeiro respondia por cerca de 3,6% da exportação nacional de vestuário.
– Esse número mais que triplicou nos últimos nove anos. Atualmente, o Rio de Janeiro tem uma participação nas exportações nacionais do setor em torno de 13,4% – revelou o economista. Desde 2000, as exportações de vestuário do Estado cresceram 150%. Entretanto, devido à crise mundial, as vendas externas fluminenses de vestuário caíram 30,7% em maio em relação a igual mês de 2008, acumulando no ano até maio perda de 24,8%.