O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que cabe à Petrobras decidir o que fazer com as novas reservas de petróleo da Bacia de Santos. Foi uma resposta ao comentário do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que propôs uma parceria para exportar o produto com desconto para países pobres.
— Vamos examinar —, declarou Garcia.
— São coisas que a empresa [Petrobras] tem que ter autonomia de operação, é ela que vai decidir. Essa questão não está em discussão —, acrescentou.
O assessor negou que o tom irônico usado por Chávez ao se referir às novas reservas brasileiras revele ciúmes.
— Que pontada de inveja a Venezuela pode ter sendo uma grande potência petrolífera? —, afirmou.
— O presidente Chávez disse isso de forma muito simpática, correspondeu à conversa que eles [Chávez e Lula] tiveram antes, que foi extremamente descontraída —, disse.
Garcia, no entanto, apóia a idéia de pensar no desenvolvimento regional de forma conjunta.
— Temos que utilizar esses mecanismos nacionais, nossa riqueza em matéria de energia, a riqueza da Venezuela, a da Bolívia em matéria de gás, e também a de outros países, para encontrar uma solução comum, porque nossa idéia é associar o desenvolvimento do Brasil ao de outros países da região —, disse.
Segundo ele, o presidente venezuelano fez uma brincadeira numa conversa privada. Disse que agora vai investir na produção de biocombustíveis. Nos últimos tempos, Chávez criticou diversas vezes a opção pelo investimento em biocombustível, uma das principais bandeiras do governo brasileiro. Em uma ocasião, no entanto, negou que esteja contra o biocombustível.
O assessor da Presidência disse ainda que Chávez achou “ótima” a descoberta brasileira, por fortalecer a América do Sul. E ironizou um comentário do presidente venezuelano, que teria prometido propor a inclusão do Brasil na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), durante a próxima reunião do grupo, semana que vem, na Arábia Saudita.
— É bobagem, porque ainda vamos ter que tirar esse petróleo —, avaliou.
Sobre a sugestão de Chávez de se criar uma empresa chamada PetroAmazônia, nos moldes da Petroandina (aliança entre as estatais energéticas da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), Marco Aurélio Garcia considera uma “leitura um pouco precipitada”.
— A idéia não é formar uma só companhia, de maneira alguma. Não tem nenhum sentido —, afirmou.
O único projeto existente neste sentido, segundo ele, é o da Petrosur.
Exportação de petróleo com desconto não está em discussão, diz Marco Aurélio
Sexta, 09 de Novembro de 2007 às 15:22, por: CdB