Rio de Janeiro, 20 de Outubro de 2026

Experiente na base, José Carlos Grandini quer firmação no profissional

Segunda, 22 de Agosto de 2011 às 05:54, por: CdB

Douglas Sato,
Especial para o site da FPF

José Carlos Grandini, 54 anos, está atualmente comandando o União São João, mas a sua história no futebol vem de muito antes dessa passagem pelo clube de Araras. Após se formar em educação Física, estagiou nas categorias de base do Palmeiras na década de 1980, onde foi preparador físico do próprio União São João e de equipes como Rio Branco e Atlético Paranaense.

Além desta função que exerceu em outros clubes como União Barbarense, Ponte Preta, Caldense (MG), Velo Clube, São Bento e Barretos, Grandini ainda acumulou diversas passagens como gerente de futebol profissional e amador no clube de Araras. Por lá também iniciou a carreira de treinador.

Na virada do Milênio, se firmou na função de treinador das categorias de base recebendo convites de grandes equipes para treinar novos talentos do futebol brasileiro. Em 2003 foi treinar a equipe do sub 15 do Corinthians, clube no qual permaneceu durante dois anos.

Após a passagem pelo Parque São Jorge, esteve no comando das categorias de base de equipes como o Guarani, Grêmio Barueri, Palmeiras e Al Nasr, dos Emirados Árabes Unidos.

Em 2011, novamente no União São João de Araras, Grandini dá novo e importante passo na carreira, ao receber a missão de comandar a categoria profissional do clube que o projetou nas categorias de base.

FPF: Como foi seu início no futebol?
Grandini: Desde pequeno gostava de futebol, era torcedor de ir em estádios, gritar e chorar pelo time, tentei ser jogador profissional, mas ciente das minhas habilidades decidi optar em outra profissão ligada ao futebol. Depois de peregrinar em alguns cursos de graduação, decidi fazer educação física, no qual me formei e em 1987 fiz especialização em futebol e em seguida uma Pós Graduação em Marketing Esportivo. A partir daí as portas foram se abrindo e ingressei no meio que amava.

FPF: Qual foi sua maior emoção como treinador nas quatro linhas?
Grandini: Tive a honra de ser o preparador físico do União São João, na campanha do acesso à Série B em 1988, com o clube se sagrando campeão do Campeonato Brasileiro da Série C. Mas, como treinador, minha maior emoção com certeza foi quando eu treinava os novos talentos do Corinthians Sub 15. A equipe que eu comandava acabou se tornando campeão mundial da Copa Nike Brasil, nos Estados Unidos, vencemos a grande final contra o Porto de Portugal por 2 a 1.

FPF: Em que técnico você se assemelha?
Grandini: O técnico Adaílton ladeira. Tive a honra de trabalhar com ele no União São João em 1988 e em outras oportunidades. Ele gostava de trabalhar muito a equipe no sentido de o time jogar sem medo. Taticamente, eu acredito que ele era o melhor, tinha convicção de como os jogadores do seu time tinham que jogar. Eles não podiam dar pontapés, a equipe tinha sempre que sair com a bola no pé, jogar sempre pra frente. O que mais me assemelho a ele é na conduta dos novos talentos, ele me ensinou muito a trabalhar com os jogadores jovens.

FPF: Quem foi o seu principal mentor?
Grandini: Quando estava começando a minha carreira como preparador físico, o treinador do Palmeiras na época era o Ettore Marchetti. Foi ele quem me deu a oportunidade de trabalhar no futebol, com ele aprendi muito sobre o futebol, até hoje carrego os ensinamentos desse grande mestre.

FPF: Já revelou algum jogador ao mundo do futebol?
Grandini: Na minha primeira passagem pelo União São João, quando comecei, não era treinador mas acompanhei de perto o crescimento do Roberto Carlos e um pouco depois o Fabrício que hoje joga pelo cruzeiro. Como treinador, na época do Sub 15 do Corinthians, tive a oportunidade de lapidar o William que atualmente defende o Shakhtar Donetsk (UCR) e o Lulinha que hoje defende as cores do Bahia.

FPF: Que jogador você já treinou e vê um grande futuro para ele?
Grandini: Falando em nomes que aparecem na mídia, com certeza seria o William do Shakhtar Donetsk. É o jogador que vejo um futuro mais que promissor. Quando o vejo jogar, tenho em mente que está em nível de grandes clubes da Europa, apostarias as minha fichas nele para figurar a Seleção Brasileira daqui a alguns anos.

FPF: Em qual jogador você mais depositou confiança quando treinador? E o retorno acabou sendo negativo?
Grandini: Na época que trabalhei no Corinthians o Lulinha era um dos jogadores mais promissores, foi um jogador que todos da comissão técnica depositaram muita confiança, mas pela necessidade que o clube tinha naquela época de revelar novos jogadores, o lançamos muito cedo. O garoto acabou não despontando tanto quanto imaginávamos. Tenho certeza que ele pode render muito, mas acho que se ele tivesse sido lapidado um pouco mais, estaria no nível dos grandes nomes hoje.

FPF: Qual o seu título mais importante?
Grandini: Acredito que seja quando era preparador físico do Atlético Paranaense e ganhamos o Campeonato Paranaense de 1990. Foi uma conquista que me marcou muito, acredito que tenha sido um dos meus melhores momentos como preparador físico.

FPF: E qual foi o Clube que mais te marcou?
Grandini: O União São João, pela minha história é a minha segunda casa. Me deu a condição de ser quem sou, de dar à minha família tudo que tenho hoje. Também tenho muito carinho pelo Corinthians, fiquei no comando do Sub 15 por dois anos e foram 14 títulos.

FPF: Qual foi a história mais inusitada em sua carreira como treinador?
Grandini: Quando trabalhava na Caldense, teve uma partida pelo campeonato mineiro contra o Cruzeiro do Ronaldo em 1994 e num lance isolado do Ronaldo, o bandeira não deu o impedimento e acabamos tomando o gol. Fiquei muito bravo com o bandeirinha e acabei pegando umas pedras que estavam na linha técnica e acabei jogando no bandeira. Acabei sendo expulso de campo e com razão, naquele momento da partida acabei perdendo a cabeça.

FPF: Você possui alguma frustração no futebol?
Grandini: Estou indo para os 31 anos no futebol, acredito que minha maior frustração foi não ter começado antes a minha historia no esporte. Resolvi me tornar treinador muito tarde e como todos sabem a vida de treinador, em alguns casos, é curta.

FPF: Quais são os seus projetos para o futuro?
Grandini: Hoje, a minha cabeça está focada na Copa Paulista. Tenho em mente chegar muito longe na competição, falar que vou ganhá-la seria muita pretensão da minha parte, mas espero ir muito longe. Como treinador gostaria de me firmar no cenário das equipes profissionais, muitas pessoas me conhecem pela experiência nas categorias de base.

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