O ex-ministro Cid Gomes disse que há no Congresso Nacional, “400 ou 300 achacadores”
A exoneração de Cid Gomes do cargo de ministro da Educação está publicada na edição desta quinta-feira do Diário Oficial da União. Gomes pediu demissão à presidenta Dilma Rousseff na quarta-feira, após embate com deputados e com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no plenário da Casa.
Cid Gomes foi na tarde de quarta-feira à Câmara, convocado em comissão geral, para se explicar sobre declarações que deu em um evento na Universidade Federal do Pará, no dia 27 de fevereiro, de que há no Congresso Nacional “400 ou 300 achacadores”, que se aproveitam da fraqueza do governo para levar vantagens.
Em sua defesa, na comissão geral da Câmara, o ministro pediu desculpas pela declaração, mas apontando para Eduardo Cunha disse: “Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele, acusado de achaque, como diz a capa da Folha de S. Paulo”.
Líderes partidários da base governista e da oposição criticaram duramente as declarações e a postura do ministro Cid Gomes no plenário da Câmara e pediram a saída dele do cargo. Ao deixar a Câmara, o então ministro da Educação seguiu para o Palácio do Planalto e apresentou o pedido de demissão à presidenta Dilma.
Pedido de demissão
O agora ex-ministro da Educação Cid Gomes disse que pediu demissão em “caráter irrevogável” à presidenta Dilma Rousseff porque não queria criar constrangimento à base aliada do governo.
- A minha declaração, e mais do que ela, a forma como eu coloquei minha posição na Câmara, cria dificuldades para a base do governo. Portanto, não quis criar nenhum constrangimento. Pedi demissão em caráter irrevogável, agradecendo a ela [Dilma] - afirmou em entrevista.
Cid apresentou ao pedido da demissão à Dilma em uma rápida reunião no Palácio do Planalto. Ele encontrou a presidenta após sair da Câmara dos Deputados, onde esteve nesta quarta-feira para responder a questionamentos sobre declaração feita por ele de que há, no Congresso Nacional, “400 ou 300 achacadores”. A afirmação foi feita em Belém, no dia 27 de fevereiro, durante uma visita à Universidade Federal do Pará, quando Cid Gomes reuniu-se com professores e reitores de universidades federais.
Aos deputados, Cid disse que a declaração é uma opinião pessoal e que a mantém.
- A situação em que eu me encontrei, sendo convocado pela Câmara para questionar a especulação que eu tinha feito em reservado [...]. Eu não podia agir diferente, senão confirmar aquilo que disse, que penso pessoalmente - declarou, ao sair do palácio.
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