O Rio de Janeiro vai receber nos próximos dias 2.000 homens do Exército para atuar na apreensão de armas de grosso calibre e em operações de inteligência contra o tráfico de drogas, sem contudo fazer patrulhamento ostensivo nem ocupar morros e favelas da cidade.
A decisão foi anunciada após uma reunião nesta segunda-feira, no Rio, entre a governadora Rosinha Matheus, os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, da Defesa, José Viegas, da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e a cúpula da Segurança do Estado.
O pedido de ajuda do Exército foi feito no mês passado, após um confronto entre traficantes em favelas da cidade ter deixado 13 mortos em 15 dias.
"Ninguém vai ver tropa na rua, caminhão ou tanque. Não foi isso que o governo do Estado solicitou e não foi isso que o governo federal ofereceu", afirmou a governadora após a reunião. Sobre a possível entrada dos homens do Exército em favelas, a governadora disse que "serão incursões pontuais".
A data do início da operação das Forças Armadas não foi anunciada e, segundo as autoridades, ainda existem questões formais a ser resolvidas. A ação tem que ser autorizada por um decreto presidencial.
"Será uma cooperação institucional respeitando a autonomia do Estado e do governo federal ... o acordo ainda precisa de respaldos jurídicos", disse o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo.
Segundo as autoridades, os homens do Exército vão atuar em conjunto com as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. Durante a reunião, que durou mais de duas horas, foi firmado um convênio entre o Estado e o governo federal. De acordo com Rebelo, a operação vai custar mais de 10 milhões de reais.
As Polícias Civil e Militar ficarão responsáveis pela apreensão de armas de menor calibre e o Exército, pelas de grosso calibre.
"Vamos atuar em conjunto para tirar as armas de circulação. São as armas que matam e que causam essa violência toda", afirmou a governadora.
"No Rio não vai haver intervenção branca nem rosa, nem de nenhuma outra cor", disse Rosinha.
No fim de abril, a governadora havia reiterado seu pedido ao governo federal, num encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o envio de 4 mil homens das Forças Armadas a fim de garantir a segurança do Estado. A permanência das tropas seria até o final do ano.
Rosinha justificou a necessidade temporária das tropas afirmando que o Estado já dispõe de 1.800 policiais militares que passaram em concurso e ainda serão treinados, o que ocorreria até o fim do ano.
O envio dos homens do Exército foi anunciado pelo governo federal no dia 5 de maio.
Em resposta a outras solicitações feitas pelo governo do Rio, segundo o acordo, o governo federal também se compromete a liberar recursos para construção de um presídio federal e um estadual ainda este ano no Estado do Rio, com cessão de 25 viaturas e de 200 homens da Polícia Rodoviária Federal.
Tropas do Exército já foram enviadas para o Rio durante a eleição presidencial de 2002 e no Carnaval de 2003, mas nas duas ocasiões os soldados fizeram patrulhamento nas ruas.