Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2026

Exército reprime novas tentativas de protesto em Mianmar

Soldados do Exército de Mianmar e policiais atacaram, com golpes de cacetete, grupos de manifestantes que tentavam realizar protestos na maior cidade do país, Yangun, nesta sexta-feira.(Leia Mais)

Sexta, 28 de Setembro de 2007 às 09:24, por: CdB
Soldados do Exército de Mianmar e policiais atacaram, com golpes de cacetete, grupos de manifestantes que tentavam realizar protestos na maior cidade do país, Yangun, nesta sexta-feira.

Centenas de manifestantes tentavam retornar às ruas da cidade, desafiando as forças de segurança em protestos contra o governo militar.

O embaixador britânico na cidade, Mark Canning, disse à BBC que os manifestantes entraram em choques com as forças de segurança em vários pontos da cidade. Segundo testemunhas, o governo está pedindo a milícias que ataquem os manifestantes.

Cerco

Durante a madrugada, forças de segurança interditaram ruas e cercaram os cinco principais mosteiros de Yangun, em uma tentativa de impedir novos protestos contra o regime militar birmanês.

Caminhões com megafones rodam a cidade alertando a população a não proteger ninguém que esteja fugindo das forças de segurança.

Relatos de birmaneses informam que o acesso à internet foi cortado na cidade e está funcionando apenas parcialmente em outras regiões.

Opositores do governo vinham utilizando a internet para enviar imagens dos protestos e dos atos de repressão das forças de segurança para a imprensa internacional, que, em seguida, retransmitia os vídeos e as fotos para Mianmar pela internet e por canais de televisão via satélite.

Condenação internacional

O governo de Mianmar confirmou a morte de nove pessoas nos protestos de quinta-feira, quando as forças de segurança do país utilizaram gás lacrimogêneo e dispararam tiros para dispersar os manifestantes.

Outras 11 pessoas que participavam das manifestações e 31 soldados ficaram feridos, segundo a imprensa estatal.

Porém, o embaixador australiano em Mianmar, Bob Davis, disse a uma estação de rádio da Austrália que o número de mortos é, provavelmente, "dezenas de vezes maior do que o anunciado pelas autoridades".

Ele afirmou que testemunhas disseram à embaixada que viram um número de mortos bem maior que o oficial sendo retirados do local das manifestações em Yangun, na última quinta-feira.

Uma das pessoas mortas nesta quinta-feira foi o jornalista japonês, Kenji Nagai, da agência de notícias APF News. O governo do Japão disse que vai encaminhar um protesto oficial ao governo de Mianmar.

O presidente norte-americano, George W. Bush, vem liderando a condenação internacional ao governo militar de Mianmar pela repressão dos protestos.

— Eu sinto admiração e compaixão pelos monges e pelos protestos pacíficos que pedem democracia — disse Bush. — Toda nação civilizada tem a responsabilidade de defender as pessoas que estão sofrendo sob um regime militar como o que tem dirigido Mianmar por tanto tempo.

Os Estados Unidos impuseram sanções a líderes militares birmaneses e pediram à China, um dos principais parceiros de Mianmar, a exercer mais pressão sobre o país.

Pequim se recusou a condenar a junta militar que governa Mianmar, mas pediu "calma" a todas as partes. Os confrontos têm despertado temores de uma repetição da violência de 1988, quando tropas abriram fogo contra manifestantes durante protestos pró-democracia, causando a morte de cerca de 3 mil pessoas.

Os recentes protestos, que já duram dez dias, começaram depois que o governo decidiu dobrar o preço do combustível no mês passado, afetando duramente a população empobrecida do país.

A onda de manifestações vem sendo liderada por monges budistas, mas após a invasão de mosteiros durante a madrugada de quinta-feira por forças de segurança, que prenderam cerca de 200 pessoas, menos monges têm sido vistos nas

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