Rio de Janeiro, 31 de Março de 2026

Exército norte-americano mata sete supostos terroristas no Afeganistão

Quinta, 24 de Agosto de 2006 às 08:39, por: CdB

O comando militar dos Estados Unidos no Afeganistão informou, nesta quinta-feira, que matou sete supostos terroristas da Al Qaeda, em uma operação na qual uma criança também morreu, enquanto autoridades locais afegãs afirmam que todos os mortos eram civis.

Uma criança de entre 10 e 12 anos morreu no ataque cometido, nesta quinta, no distrito de Shegal, na província de Kunar (leste do Afeganistão), perto da fronteira com o Paquistão, segundo um comunicado da coalizão militar dirigida pelos EUA.

Fontes oficiais e policiais afegãs na região disseram que houve um bombardeio aéreo planejado com "informação errônea da inteligência", sobre um lugar onde os EUA pensavam que havia um grupo de insurgentes.

Um alto responsável policial, que não quis ser identificado, afirmou que havia um grupo de idosos no lugar que resolviam uma disputa entre duas famílias, que o ataque acabou causando a morte de sete civis.

A informação foi confirmada pelo chefe e pelo subchefe administrativo do distrito de Shegal, que garantiram que, após o bombardeio, seis pessoas desapareceram - entre elas uma mulher.

A versão das forças americanas é bastante diferente, pois afirmam que a operação era contra um "complexo que abrigava supostos terroristas", e que morreram "sete supostos colaboradores da Al Qaeda", além de uma criança que acabou envolvida no incidente.

Chris Miller, porta-voz da coalizão militar, disse que a operação começou porque havia "informação crível da inteligência" sobre o suposto complexo terrorista.

Tom Collins, outro porta-voz do comando militar dos EUA, afirmou que não tem certeza sobre a morte de mais civis além da criança, enquanto o Ministério do Interior afegão se negou, até agora, a fazer comentários sobre o caso.

- Os simpatizantes da Al Qaeda colocaram em risco, de forma deliberada, mulheres e crianças, em um esforço para proteger suas operações ilegais e imorais - disse Collins.

Em seu comunicado oficial, o comando militar disse que forças da coalizão e tropas afegãs foram atacadas quando se aproximavam de um "complexo que abrigava supostos terroristas", quando estavam em busca de "um conhecido colaborador da Al Qaeda" perto do povoado de Asmar. Eles teriam reagido "para se defender".

Como conseqüência, segundo as forças dos EUA, sete supostos simpatizantes da rede terrorista Al Qaeda e uma criança de entre 10 e 12 anos morreram, enquanto uma mulher ficou ferida e quatro supostos rebeldes foram detidos.

Isso explicaria o fato de que vários civis, entre eles uma mulher, continuam - de acordo com fontes locais afegãs - desaparecidos no distrito de Kunar, uma das províncias mais perigosas do Afeganistão, onde há vários simpatizantes dos talibãs.

Em 17 de agosto, 12 policiais afegãos morreram quando um avião da coalizão liderada pelos EUA lançou "por engano" uma bomba sobre dois veículos policiais na província de Paktika, no leste do Afeganistão.

A coalizão militar liderada pelos EUA interveio no Afeganistão no final de 2001, com o objetivo de acabar com o regime talibã e restabelecer a segurança. Atualmente, a coalizão tem cerca de 20 mil soldados no país.

Este ano foi um dos mais violentos desde a derrubada do regime talibã, no final de outubro de 2001. Em diferentes incidentes, cerca de 2 mil pessoas morreram, entre elas quase 100 soldados estrangeiros.

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