Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Exército nigeriano ataca grupo fundamentalista islâmico: 150 mortos

Terça, 28 de Julho de 2009 às 14:52, por: CdB

Militares nigerianos iniciaram, nesta terça-feira, um ataque ao reduto de militantes islâmicos extremistas que vinham atacando alvos governamentais nos últimos dias. Os confrontos no norte de país já deixaram desde o domingo pelo menos 150 mortos em cinco Estados. O exército bombardeou na cidade a casa onde os militantes estavam refugiados, que pertence ao líder do grupo, Mohammed Yusuf. Segundo jornalistas que cobrem o conflito, o grupo Boko Haram ( que significa "Educação é proibida") quer a implantação de um regime islâmico em todo o país.

Mohammed Yusuf se opõe à educação nos moldes ocidentais nas escolas nigerianas, alegando que isso viola os preceitos islâmicos. A população local também se refere ao Boko Haram como “Talebã”, embora não existam laços conhecidos entre os nigerianos e os milicianos do Afeganistão.

Movimento rápido

O presidente nigeriano, Umaru Yar'adua, disse que as forças de segurança se moveram rápido para conter uma ameaça perigosa.

– Acredito que esta operação que lançamos agora irá contê-los de uma vez – disse Yar'adua, antes de embarcar nesta terça-feira para uma visita ao Brasil.

As autoridades reforçaram a segurança nos quatro Estados do norte do país atingidos pela violência desde o fim de semana - Bauchi, Yobe, Kano e Borno. Nesses Estados, a maioria da população é muçulmana. Um porta-voz do governo disse que pelo menos 160 prisões foram realizadas em Bauchi, onde a violência começou. Em áreas afetadas de Yobe, Borno e no Estado de Plateau, soldados bloquearam estradas e o Exército impôs um toque de recolher. Além disso, os militares controlam o acesso às principais áreas urbanas.

Ataques

Nos últimos dois dias os militantes lançaram ataques com granadas e armas contra delegacias de polícia e prédios do governo em Bauchi, Yobe, Kano e Borno. Segundo correspondentes, o grupo Boko Haram seria uma organização religiosa menor que tem levantado suspeitas devido ao recrutamento de jovens e à crença de que a educação, cultura e ciência ocidentais são pecaminosas.

A lei islâmica, a Sharia, vigora no norte do país, mas não há histórico de violência ligada à Al-Qaeda na Nigéria. A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência. Duffield afirmou que a tensão é comum no norte da Nigéria devido à pobreza e à competição pelos recursos escassos, além das diferenças culturais, étnicas e religiosas.

Grupos religiosos menores da Nigéria também já alegaram envolvimento com o Talebã, indivíduos também foram acusados de ligação com a Al-Qaeda, disse Duffield.

Tags:
Edições digital e impressa