O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou na manhã desta quarta-feira que recebeu um ofício das mãos do governador Sérgio Cabral, em que ele pede ajuda das Forças Armadas para combater a violência no Estado.
Segundo Lula, haverá uma reunião nesta quinta-feira com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica para definir a forma de atuação dos militares. O objetivo do encontro é realizar o mapeamento do Estado para que sejam escolhidas regiões onde as tropas irão atuar.
Lula disse que ainda não sabe quantos homens poderão ser disponibilizados para a segurança no Rio. A Força Nacional de Segurança possui 450 homens na cidade desde Janeiro.
Lula e Cabral tomaram café da manhã juntos, em um hotel em Copacabana, onde o presidente passou a noite. Os ministros da Justiça e do Esporte, Tarso Genro e Orlando Silva, respectivamente, estão presentes, assim como os secretários de Segurança, José Mariano Beltrame, e da Casa Civil, Régis Fichtner.
Agenda com o presidente
Lula e Cabral passaram o dia visitando obras. Os compromissos começaram cedo, quando o presidente e o governador prestigiam a formatura dos primeiros cinco mil guias-mirins e socorristas destacados para trabalhar nos Jogos Pan-Americanos. Em seguida, Lula realizou uma viagem inaugural, da estação Maracanã até a estação Central, do 11º trem coreano da SuperVia, adesivado com o tema PAN-2007. Na comitiva, além de Cabral, estarão o presidente da SuperVia, Amin Alves Murad, e o secretário de Transportes, Júlio Lopes.
Da Central do Brasil, o presidente Lula segue até a estação Cantagalo do metrô, em Copacabana, onde fará a detonação inicial para as obras da estação General Osório, em Ipanema. O último compromisso do presidente no Rio de Janeiro será na sede da Transpetro, onde, após almoço no Estaleiro Sermetal, Lula participará da cerimônia de assinatura de contratos para a construção de navios.
Cabral quer tropas nas ruas por um ano
Segundo fontes do governo, Cabral solicitou ao presidente que as tropas fiquem nas ruas da Região Metropolitana do Rio por um ano.
O governador ressaltou que sua intenção não é usar as tropas em favelas: - Não é para as Forças Armadas entrarem no conflito na favela, mas sim colocá-las ajudando a patrulhar a cidade -. Para Cabral, as tropas poderiam policiar vias expressas.
Segundo o governador, existe carência de efetivo na PM. - Não é possível que nós tenhamos carência de efetivo, índice de violência crescendo e não tenhamos parceria. Temos cinco mil fuzileiros no Rio, polícia do Exército no Rio e o crime aí. Devemos trabalhar em conjunto -.
Cabral destacou que não se trata de intervenção, ao contrário do que observou o ministro da Justiça, Tarso Genro, segunda-feira. - Respeito o ministro, mas acredito que hoje não há mais aquela expectativa de que as Forças Armadas entrem em momentos radicais. Não é intervenção, não é para o Pan, é trabalho em conjunto para combater a criminalidade -.
Para Gilberto Ribeiro, chefe de Polícia Civil, Forças Armadas deveriam cuidar das fronteiras: - Em três meses, apreendemos seis toneladas de maconha do Paraguai e munição da Argentina -. Nesta terça-feira a Polícia Civil revistou carros, motos, ônibus e vans em operação contra roubo de veículos na Zona Norte.