Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Exército israelense prepara operação de grande escala em Rafah

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 11:27, por: CdB

Diversas tropas israelenses estão posicionadas na Faixa de Gaza, onde a cidade de Rafah foi isolada do resto do território, enquanto milhares de famílias palestinas abandonaram suas casas e se preparam para uma operação em grande escala.

O exército israelense dividiu a Faixa de Gaza em quatro partes separadas, com o objetivo de impedir que palestinos da localidade de Khan Yunes passem para Rafah, ambas no sul da região.

Os militares também tentam impedir que milicianos de Rafah viajem para outras cidades ou levem armas entre diferentes partes da faixa palestina.

Um porta-voz militar disse que o exército separou a região de Rafah do resto da faixa para facilitar as detenções de membros da resistência palestina e destruir túneis utilizados para o contrabando de armas a partir do Egito.

O chefe do Estado Maior israelense, general Shaul Mofaz, advertiu neste domingo que suas tropas intensificarão as operações em Rafah, onde centenas de casas já foram marcadas para ser destruídas.

Fontes da segurança palestina e testemunhas disseram que dezenas de tanques israelenses e escavadeiras, com o apoio de helicópteros "Apache", tomaram a cidade e o campo de refugiados de Rafah sob intenso fogo contra casas palestinas próximas à fronteira com o Egito.

Os moradores disseram que helicópteros sobrevoam a região constantemente e que as escavadeiras começaram a destruir várias casas na cidade, depois de o Tribunal Supremo israelense autorizar, neste domingo, a continuação da medida, com a rejeição de um recurso apresentado por 13 famílias de Rafah.

Tropas israelenses cercam a localidade e o campo de refugiados de Rafah, onde vivem cerca de 120.000 pessoas, a maioria das quais é de refugiados cujas casas se encontram junto à fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito.

Centenas de refugiados palestinos já recolheram seus móveis e utensílios e abandonaram suas casas, seguindo para colégios da ONU, mesquitas, campos de futebol e tendas de campanha instaladas por organizações humanitárias, onde passarão a noite.

A Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) calculou que 3.000 pessoas deixaram para trás suas casas e estão abrigadas em instalações alternativas.

O porta-voz da UNRWA em Gaza, Sami Mshashea, afirmou hoje que a agência está se esforçando para conseguir tendas de campanha, água e alimentos básicos para as famílias que deixaram suas casas após o começo da operação militar israelense em Rafah.

No entanto, Mshashea disse que o "problema não consiste em ajudar as famílias com o mais urgente, mas assisti-las com a reconstrução de 2.018 casas, que foram demolidas ou parcialmente danificadas na região pelo exército israelense".

O secretário-geral do movimento Al-Fatah na Faixa de Gaza, Ahmad Helles, criticou as últimas ações de Israel e assegurou que "o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, pagará por estes crimes".

De acordo com Helles, Sharon "tem que entender que estas agressões militares não trarão segurança a ninguém e só aumentarão a tensão e a violência".

Enquanto isso, as autoridades israelenses analisam a possibilidade de cavar uma trincheira de aproximadamente 20 metros de profundidade e 150 metros de largura no chamado corredor "Filadélfia", uma área de aproximadamente 9 quilômetros de extensão controlada pelo exército no sul de Gaza e que separa Rafah do território egípcio.

Segundo informou o "Canal 2" da televisão pública de Israel, que citou fontes oficiais, a medida visaria a impedir que palestinos construam túneis ao longo da fronteira para levar armamento e outros apetrechos do Egito à Faixa de Gaza.

Na área perderam a vida na quarta-feira passada cinco soldados israelenses, atacados por milicianos palestinos que lançaram um foguete antitanque contra o blindado no qual eles viajavam.

Na semana passada, 35 palestinos morreram em operações de Israel na Faixa de Gaza, assim como 13 militares israelenses.

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