O Exército israelense realizou nesta quarta-feira uma espetacular operação em Baalbeck, reduto do Hezbollah no leste do Líbano, e capturou vários milicianos do grupo xiita.
No momento em que o conflito entra em sua quarta semana, sem perspectivas de um cessar-fogo imediato, um balanço da Comissão de Emergência do governo libanês afirma que 835 pessoas morreram e mais de 3.200 ficaram feridas nos 22 dias de bombardeios israelenses.
Uma unidade transportada por helicóptero, encoberta por um intenso bombardeio aéreo, aterrissou perto de Baalbeck, onde foram travados intensos combates com os homens do Hezbollah. O comando israelense seqüestrou cinco membros do Hezbollah e matou ou feriu outros dez, segundo o chefe do Estado-Maior de Israel, Dan Halutz.
- Executamos esta operação para demonstrar que podemos atacar em qualquer parte do Líbano - acrescentou, desmentindo informações segundo as quais o objetivo da operação seria capturar um líder da milícia.
Outra fonte militar informou que os israelenses não sofreram baixas em suas fileiras.
No entanto, a polícia libanesa informou que 11 civis morreram durante a ação realizada após uma pausa parcial de 48 horas nos ataques aéreos.
Uma fonte do partido xiita informou que o comando israelense, formado por quase 20 homens, foi evacuado da área de operação graças a uma intensa cobertura aérea da aviação israelense que bombardeou vários povoados da região.
No sul do Líbano, intensos bombardeios israelenses tiveram como alvo os setores de Shebaa e Kfrachuba, que dominam o chamado Dedo da Galiléia (norte de Israel).
Mais de cem obuses caíram nas colinas de Kfarchuba e nas regiões de Kfar Kila, Hura e Deir Mimes. A aviação israelense voltou a bombardear o vilarejo de Bint Jbeil.
Por outro lado, quase 160 foguetes disparados pela milícia xiita do Hezbollah a partir do Líbano caíram nesta quarta-feira sobre Israel, o que representa a maior quantidade de projéteis em um único dia desde o início do conflito, anunciou uma fonte policial.
Dos 160 foguetes, 36 caíram em cidades israelenses e locais residenciais, como Safed, Maalot, Tiberíades, Carmiel, São João de Acre, Kiriat Shmona, Nahariya e Rosh Pina, deixando um morto e 19 feridos, entre eles dois com gravidade.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, declarou às emissoras de televisão britânica que Israel prosseguirá com a ofensiva no Líbano até que uma força internacional seja enviada ao sul do território libanês.
Questionado se os combates contra o Hezbollah continuariam até a mobilização de uma força das Nações Unidas, o premier israelense respondeu de maneira afirmativa.
- Se uma força internacional forte e efetiva for mobilizada no sul do Líbano, então poderemos cessar os combates - declarou Olmert.
- Estamos tentando empurrar mais e mais o Hezbollah para longe de onde estava e abrir (o caminho) para a mobilização de uma força internacional - declarou o primeiro-ministro de Israel.
A ofensiva israelense no Líbano prosseguirá até o final da próxima semana, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Justiça de Israel, Haim Ramon.
Shimon Peres, vice-premier israelense, informou na terça-feira à Casa Branca que o Exército de Israel limpou a região amplamente.
- Temos a impressão de estarmos muito próximos da decisão. É uma questão de semanas, talvez menos - afirmou, após um encontro com o conselheiro de George W. Bush para Segurança Nacional, Stephen Hadley.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, desejou, por sua vez, que os esforços diplomáticos em curso resultem em um cessar-fogo "em alguns dias, não semanas".
Porém, a Casa Branca declarou, por sua vez, que um cessar-fogo imediato no Líbano não está na ordem do dia e reconheceu, apesar de minimizar, a polêmica com a França sobre a urgência do fim das hostilidades.
- Um cessar-fogo imediato, neste estágio, não pare