Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Exército expulsa tráfico de morro do Rio, mas ocupação é por tempo limitado

A presença diária de 200 homens do Exército no Morro da Providência, no centro da cidade do Rio, foi suficiente para expulsar os traficantes que dominavam a comunidade. O que restou do grupo se resume a poucas pixações nas paredes das casas ou as iniciais da facção gravadas nas escadarias. A expulsão dos criminosos é reconhecida pelos militares e pode ser constatada em uma caminhada pelos becos da comunidade, que não apresentam olheiros ou soldados armados do tráfico. (Leia Mais)

Terça, 19 de Fevereiro de 2008 às 17:06, por: CdB

A presença diária de 200 homens do Exército no Morro da Providência, no centro da cidade do Rio, foi suficiente para expulsar os traficantes que dominavam a comunidade. O que restou do grupo se resume a poucas pixações nas paredes das casas ou as iniciais da facção gravadas nas escadarias. A expulsão dos criminosos é reconhecida pelos militares e pode ser constatada em uma caminhada pelos becos da comunidade, que não apresentam olheiros ou soldados armados do tráfico.

A ocupação na Providência faz parte da Operação Cimento Social, iniciada no dia 13 de dezembro passado, com objetivo de reformar 780 casas da comunidade, em parceria com o Ministério das Cidades.

A fuga dos traficantes foi confirmada pelo chefe da Seção de Comunicação Social do Comando Militar do Leste (CML), coronel Carlos Barcellos.

— São essas as informações que estamos trabalhando. Até esse momento, os pontos de venda de drogas principais nesta área estão desativados pela presença da tropa federal aqui —, disse.

Porém, a presença das Forças Armadas no local tem prazo limitado, não devendo passar de um ano, conforme lembrou nesta terça-feira o general Williams Soares, responsável pela operação, durante o discurso de abertura da ação cívico-social patrocinada pelo Exército, que está sendo realizada até quinta-feira no morro.

— Vamos permanecer o ano todo aqui, juntos, ombro a ombro, para melhorar a comunidade —, disse o general Soares.

A ação cívico-social mobiliza 150 militares das áreas de saúde e infra-estrutura, oferecendo consultas médicas, atendimento odontológico e entrega de medicamentos aos moradores, além da restauração de equipamentos públicos, como praças, igrejas e a caixa-d´água principal.

Foram montados dois núcleos de atendimento de saúde, um na parte baixa e outro no alto do morro.

Na fila para consultar um médico, a moradora X, de 47 anos, nascida na Providência, elogiou a iniciativa e disse estar mais segura com a presença do Exército na favela.

— Traqüiliza mais a comunidade, as pessoas ficam mais seguras em relação à violência —, disse.
 
Perguntada se tinha medo de que a insegurança voltasse com a saída dos militares, respondeu:
“Claro. Todo mundo tem esse receio, de que volte tudo, a insegurança, a violência. Com o Exército aqui as pessoas estão mais tranqüilas”.

O comandante da 1ª Divisão de Exército do CML, general Rui Monarca da Silveira, supervisionou o início da ação e comentou o medo demonstrado pela moradora, de que a saída do Exército representará a volta do tráfico ao local.

— O estado do Rio de Janeiro tem as melhores condições, com a nossa presença aqui, para resolver definitivamente esse problema no Morro da Providência. E tenho certeza que a Secretaria de Segurança irá resolver esse problema, aproveitando a nossa permanência durante esse ano inteiro —, disse o general.
A Secretaria de Segurança do estado disse apenas que a Polícia Militar já se encontra na Providência por meio do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae), e não quis dar detalhes sobre planos futuros para garantir a segurança na comunidade.

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