O ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse nesta quarta-feira que "foi um resgate cinematográfico" a operação que resultou na libertação da política colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
De acordo com Santos, a operação teve início na manhã desta quarta-feira, após o Exército ter infiltrado agentes na guerrilha e ter capturado dois rebeldes que faziam a segurança do cativeiro, no Estado colombiano de Guaviare.
De acordo com o jornal colombiano El Tiempo, os agentes infiltrados teriam convencido um carcereiro de nome César a acompanhá-los a uma reunião com o líder das Farc, Alfonso Cano.
Segundo o jornal, o Exército utilizou um helicóptero civil, e César teria aceitado viajar com eles.
– Os militares enganaram os rebeldes dizendo que os reféns, que estavam separados em três grupos, seriam transportados por helicópteros de uma organização humanitária fictícia – disse o ministro.
César, que tinha acesso a um dos membros do secretariado das Farc, Mono Jojoy, e outro integrante da guerrilha foram capturados e "entregues às autoridades judiciais para que sejam processados por todos os seus delitos ", disse Santos.
Ainda não se sabe se César é o mesmo guerrilheiro que, segundo anunciado pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, no dia 13 de junho, teria contatado o Exército colombiano e oferecido libertar Ingrid Betancourt.
Impecável
Em um discurso emocionado ao desembarcar em Bogotá, Betancourt disse que a operação militar que a resgatou depois de seis anos de cativeiro foi "impecável".
– A operação militar do Exército do meu país foi impecável, perfeita – disse.
Segundo Betancourt, que disse ter guardado uma calça jeans nova para usar no momento de sua libertação, os reféns já sabiam que poderiam ser resgatados nesta quarta-feira.
– Só não sabíamos quantos poderiam ser libertados – afirmou.
De acordo com Betancourt, inicialmente os reféns pensaram que os agentes do Exército eram guerrilheiros.
– Quando o helicóptero chegou ao acampamento, (...) subimos com muita dificuldade, porque nos ataram as mãos, e isso foi muito humilhante – disse.
Segundo ela, os reféns só souberam que estavam sendo resgatados quando o comandante da operação gritou: "Somos o Exército Nacional, vocês estão livres".
– Saltamos, gritamos, choramos, nos abraçamos. Não podíamos acreditar, era um milagre – afirmou Betancourt.
Etapas
O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Freddy Padilla, disse que a operação foi organizada em três etapas. A primeira foi um serviço de inteligência para identificar o cativeiro onde eram mantidos os reféns e infiltrar agentes no secretariado das Farc.
A segunda fase se tratava da operação de resgate. Uma terceira possibilidade seria um plano alternativo, não detalhado pelo militar, caso a operação de resgate não fosse bem-sucedida.
De acordo com o jornal The New York Times, os Estados Unidos estavam envolvidos no planejamento e na operação da missão.
Exército enganou guerrilheiro em operação cinematográfica
O ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse nesta quarta-feira que "foi um resgate cinematográfico" a operação que resultou na libertação da política colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). (Leia Mais)
Quinta, 03 de Julho de 2008 às 07:23, por: CdB