O Exército do Paquistão informou nesta quarta-feira que retirou todos os militantes da Mesquita Vermelha, em Islamabad, um dia depois de os soldados invadirem o complexo.
O cerco ao complexo havia começado na terça-feira passada, depois que um grupo de estudantes seqüestrou sete trabalhadores chineses a quem acusavam de administrar um bordel.
Nos últimos meses, os estudantes do complexo de madrassas ligado à Mesquita Vermelha vêm desafiando abertamente as autoridades paquistanesas, fazendo uma campanha em favor da adoção da sharia (lei islâmica).
Pelo menos 50 pessoas morreram dentro da Mesquita Vermelha e oito soldados também foram mortos durante a operação, segundo os militares.
- A primeira fase da operação está encerrada. Não há mais militantes dentro (da mesquita) - disse o porta-voz do Exército, general Washeed Arshad.
O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, disse que ainda não foi encontrado nenhum corpo de mulheres ou crianças dentro do complexo, segundo a agência de notícias Associated Press.
Ainda não se sabe quantas pessoas estavam dentro do complexo quando ele foi invadido.
Explosões
Na madrugada desta quarta-feira (noite de terça-feira pelo horário de Brasília), diversas explosões e troca de tiros foram ouvidas na área do complexo - que inclui a mesquita e duas escolas religiosas islâmicas (madrassas), uma para homens e outra para mulheres.
O general Arshad disse na ocasião que a batalha estava progredindo lentamente porque os soldados queriam evitar mortes entre as mulheres e crianças que eram mantidas no complexo.
Arshad afirmou que os poucos militantes que ainda estavam no local estavam entrincheirados nos aposentos privados do clérigo Abdul Rashid Ghazi, morto na terça-feira em um tiroteio com as forças de segurança.
Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema, o clérigo estava no porão da madrassa para mulheres, ao lado de outros cinco militantes. Ao ouvir a ordem para que saíssem do local, os militantes começaram a atirar, e foram mortos, disse Cheema.
Cheema disse que Ghazi estava usando um número ainda não confirmado de mulheres e crianças como escudo humano - apesar de o clérigo sempre ter negado que tenha mantido reféns.
Algumas horas antes de ser morto, Ghazi havia acusado as autoridades de franca agressão.
- Meu martírio é certo agora - disse o clérigo ao canal de televisão paquistanês Geo.