Em meio a uma polêmica em Israel sobre o caráter da investigação a respeito da atuação das Forças Armadas no Líbano, cerca de 50 equipes de militares realizam, a partir desta segunda-feira, uma análise interna para determinar os erros cometidos durante o conflito com o Hezbollah.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ordenou uma investigação oficial, mas o titular da Defesa, Amir Peretz, líder do Partido Trabalhista, defende um exame com caráter judicial, conduzida pela Suprema Corte.
Segundo a edição de hoje do jornal Ha'aretz, a investigação interna será conduzida pelo general Moshé Kaplinsky, subchefe das Forças Armadas e designado para supervisionar as operações no sul do Líbano após o início da ofensiva israelense por terra para neutralizar os ataques do Hezbollah com foguetes e mísseis.
Dez dessas equipes militares estão sob responsabilidade de oficiais com categoria de general. Seu objetivo é investigar os erros logísticos cometidos por unidades de combate no sul do Líbano, assim como a convocação de milhares de reservistas na disputa após o fracasso dos ataques da aviação israelense em deter a milícia xiita libanesa Hezbollah.
Apesar da sua capacidade militar e dos 30 mil soldados que enviou ao Líbano, Israel não conseguiu impedir o lançamento dos foguetes Katyusha pelo Hezbollah, além de não conseguir resgatar os dois soldados seqüestrados pela milícia desde o dia 12 de julho.
O conflito causou a morte de 116 soldados israelenses e 41 civis em Israel.
O país possui um dos poucos "exércitos populares", com 80% dos seus combatentes provenientes de todas as camadas sociais e profissionais do país.
Vários reservistas, convocados de emergência pela tradicional "tzav shmone", ou "ordem nº 8", retornaram do Líbano alegando não terem recebido "ordens claras" dos seus superiores, pois, segundo disseram, "eles também não sabiam o que deveriam fazer".
O Canal 2 da televisão israelense revelou ontem à noite que, ao contrário do que se pensava até agora, os serviços secretos das Forças Armadas conheciam as posições subterrâneas dos guerrilheiros do Hezbollah, mas a informação não chegou aos soldados israelenses.
Segundo a emissora, as fotografias aéreas das aldeias libanesas do sul onde as tropas israelenses operavam eram obsoletas.
Os soldados também se queixaram sobre o fato de que muitos estavam sem treinar há muito tempo e por usarem equipamentos obsoletos. Além disso, eles apontaram problemas no abastecimento de alimentos e água potável devido às dificuldades topográficas da região do Líbano meridional.
Oficiais israelenses manifestaram ao jornal Ha'aretz seu ceticismo sobre o resultado da investigação interna, pela possibilidade de os erros serem "encobertos".
Exército de Israel investiga atuação no Líbano
Segunda, 04 de Setembro de 2006 às 08:34, por: CdB