Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Exército da Etiópia ocupa cidade da Somália

Quinta, 20 de Julho de 2006 às 07:20, por: CdB

Militares da Etiópia a bordo de aproximadamente cem veículos artilhados, chegaram, nesta quinta-feira, à cidade de Baidoa, na Somália, disseram testemunhas locais.

Baidoa, localizada 245 quilômetros ao noroeste de Mogadíscio, é a sede do Governo de transição da Somália, eleito em 2004 no vizinho Quênia e que ainda não conseguiu impor sua autoridade no país. A Somália vive há 15 anos sem uma autoridade central.

Segundo relatórios divulgados na Somália, o Governo da Etiópia negou que as tropas de seu país tenham atravessado a fronteira para apoiar o Governo de transição. A informação também foi desmentida pelas autoridades da Somália sediadas em Baidoa.

No entanto, as testemunhas disseram que as tropas etíopes se posicionaram em uma base temporária de Baidoa e acrescentaram que muitos moradores estão se preparando para deixar a cidade.

O Governo da Etiópia apóia o presidente somali, Abdullah Yousef Ahmed, porque o considera o único reconhecido internacionalmente, frente ao poder dos Tribunais Islâmicos, que ocuparam a capital e estão se estendendo pelo resto do país.

As notícias sobre a possível chegada de tropas etíopes a Baidoa surgem depois de os Tribunais Islâmicos anunciarem sua intenção de se dirigir para essa cidade.

Especialistas que acompanham a crise da Somália dizem que os Tribunais Islâmicos receberam armas da Eritréia, o principal inimigo da Etiópia.

A Eritréia se tornou independente da Etiópia em 1993, mas as disputas fronteiriças levaram os dois países a uma guerra entre 1998 e 2000, que terminou com cerca de cem mil mortos.

Analistas regionais sustentam que a Eritréia está interessada em fomentar a guerra na Somália para obrigar a Etiópia a desviar efetivos para território somali e afastá-los da fronteira com a Eritréia, onde a situação é muito tensa desde o ano passado.

O Governo de Adis-Abeba, além disso, teme que o crescente poder dos Tribunais Islâmicos na Somália possa se estender à Etiópia, e por isso anunciou que não descarta a possibilidade de atravessar a fronteira para apoiar o presidente Yousef Ahmed.

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