Leonardo Carvalho
Especial para o site da FPF
Emerson dos Santos Alcântara, 39 anos, trabalhando atualmente no Tupã, que disputa a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, nasceu em Candido Motta, no interior de São Paulo, iniciou sua carreira como jogador no Matsubara (PR) e rodou bastante. Jogou em clubes como Paraguaçuense, Juventus e Criciúma (SC). Em sua primeira proposta tentadora para jogar por um time de Portugal, quando passava por seu melhor momento na carreira, sofreu um grave acidente de carro que o impossibilitou de continuar a carreira de jogador.
Ao contrário de muitas pessoas, que na primeira adversidade desistem de seus sonhos, Emerson Alcântara tomou o caminho contrário. Seu amor pelo futebol era tão grande que ele decidiu seguir nos gramados, só que agora, fora das quatro linhas, como técnico.
Com apenas 27 anos, sua primeira aventura no futebol foi no Estrela, de Porto Feliz. Vendo que tinha qualidades para ser bom técnico, a sua experiência dos tempos de jogador aliada com a vontade de ensinar aos jogadores fizeram com que Alcântara rodasse por muitos clubes do interior paulista. Times como Paulista de Caieiras, São Bento, Jaboticabal, Ipanema (AL), CRB (AL), Red Bull, da Áustria, e F.C Lugano, da Suíça, já passaram pelas mãos do treinador.
FPF: Qual foi seu primeiro grande desafio na carreira?
Alcântara: Para mim, meu maior desafio na carreira foi a transição de jogador para técnico. Após meu acidente, queria continuar no meio do futebol. Tinha muita vontade de ser treinador e hoje me sinto muito mais realizado como técnico do que como jogador. É muito bom trabalhar com 25 jogadores e ver que todo nosso empenho começou a render resultados. Isso é muito gratificante.
FPF: Qual o treinador da atualidade que você acredita que mais se assemelha?
Alcântara: Aqui no interior brincam comigo falando que eu pareço muito com o Vanderlei Luxemburgo. Gosto muito do estilo dele como treinador. O jeito como ele é aplicado na parte técnica, a visão que tem para as substituições. Para mim, ele é um dos grandes treinadores que já vi e me espelho muito nele.
FPF: Qual foi a partida mais emocionante de sua carreira?
Alcântara: Sem dúvidas, foi a minha passagem pelo XV de Piracicaba. A torcida do XV é sensacional, inexplicável. Ela pode ser comparada com a dos times grandes. Para um técnico jovem, passar em um clube que já passou o treinador Emerson Leão, por exemplo, é uma sensação ótima. Ouvir a torcida gritar seu nome, vibrar com o seu trabalho é algo que me deixou muito emocionado em minha carreira.
FPF: Para você, quais as principais dificuldades de treinar um time do interior?
Alcântara: Sem sombra de dúvidas, é a falta de recursos para investimentos no futebol. As dificuldades que os times do interior têm para conseguir angariar fundos é complicado. Eu acredito que se o poder público e as empresas da cidade apoiassem mais o futebol realizado no interior seria um grande avanço.
FPF: Porque os clubes do interior não vêem revelando tantos jogadores como no passado?
Alcântara: O problema é que muitos jogadores estão nas mãos dos empresários. A necessidade de vender rapidamente os jogadores faz os clubes ficarem a mercê dos empresários. Eu acredito que os projetos para formação de jogadores deveriam ser feitos de médio a longo prazo. Uma alternativa para segurar os atletas seria pagar melhores salários, com isso, eles não precisariam sair tão cedo dos clubes do interior.
FPF: Qual clube você gostaria de treinar durante sua trajetória no futebol?
Alcântara: Como profissional gostaria de treinar um time grande. Poderia ser da capital ou de qualquer outro estado. Particularmente, queria treinar o Santos, pela mística da camisa santista e pelo meu pai que é santista. Seria um grande presente para meu pai.
FPF: Sobre o futuro, o que você espera da sua carreira?
Alcântara: No momento, quero ficar no Tupã. O dirigente Gilson Menezes quer fazer um projeto legal aqui no clube e eu abracei essa ideia. No futuro, queremos classificar a equipe para a Série A3 do Campeonato Paulista de Futebol. As pessoas com que trabalho aqui são excelentes profissionais e nos dão liberdade para trabalhar.