Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2026

Exemplo de entulho autoritário no Exército

Terça, 15 de Fevereiro de 2011 às 08:05, por: CdB

Em boa hora o Exército anunciou em nota oficial o cancelamento da propaganda que sua Fundação Habitacional do Exército (FHE) pagava ao jornal mensal Inconfidência, de Belo Horizonte. A publicação faz ataques políticos pesadíssimos à presidenta Dilma Rousseff - ataca, portanto, a figura institucional da Presidência da República, a comandante das Forças Armadas.

A propaganda aparece ainda na edição do mês passado. Textos no jornal relacionam a eleição da presidenta Dilma ao analfabetismo e expõem um resumo da "vida clandestina" dela durante o regime militar (1964-1985). Esta edição publicou, ainda, uma matéria em que diz haver resistência à presidenta da República em setores das Forças Armadas.

Nesta última edição - a de fevereiro ainda não saiu - o jornal faz um desagravo ao general José Elito Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional, para quem os desaparecidos políticos não são motivo nem de vergonha, nem de glória.

Jornal diz que general não deveria retratar-se


O texto diz que o general estava certo e que não deveria ter se explicado, nem se retratado à presidenta da República. Há também críticas ao ex-deputado José Genoino (PT-SP) que a partir deste mês trabalha numa assessoria especial no Ministério da Defesa.

Os textos trazem uma charge que mostra Genoino, ex-participante da Guerrilha do Araguaia, pisando em um homem que sangra. No alto da imagem, o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) - comandante dos mais duros anos de chumbo da repressão política - é chamado de "o melhor presidente do Brasil em todos os tempos".

Como vemos pelo exemplo deste jornal - dirigido por militares da reserva - e como já afirmamos diversas vezes neste blog, há muito que mudar nas Forças Armadas. O Exército financiando um jornal deste tipo, com esta agenda e pautas, é mais um exemplo de entulho autoritário que permanece.

Ainda que sua existência e pautas cheirem a mofo, o jornal era financiado pelo Estado (Exército) indiretamente. Pior é ter continuado até agora. Um abusrdo, além da ilegalidade óbvia. Alguém tem que responder por isso. Quem eram os responsáveis por tais desatinos e ilegalidades, quem deixou esta Fundação do Exército pagar esta propaganda até agora?

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