O afastamento do secretário de Finanças do PT, Delúbio Soares, pode ser decido nesta quarta-feira pela Executiva Nacional do partido. Esta informação foi confirmada por dirigentes petistas que não querem ser identificados. Eles ressaltaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ministro Luiz Gushiken pediram "a cabeça" do tesoureiro.
Os 21 integrantes da Executiva do PT se reúnem nesta quarta, para avaliar as denúncias do deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, que acusa o governo de pagar mesada de R$ 30 mil para parlamentares em troca de apoio a votações de projetos pelo Congresso.
O secretário-geral do PT, Silvio Pereira, negou que exista pedido de afastamento formal de Delúbio Soares, tesoureiro do partido acusado do suposto pagamento de mesadas a parlamentares do PT e do PL. Porém não descartou a possibilidade de alguém pedido ser formalizado na reunião da Executiva Nacional do PT, que acontecerá ainda nesta quarta-feira.
- Acredito que não esteja na pauta, mas é uma reunião da Executiva do PT: você sabe como começa, mas nunca sabe como termina - afirmou Pereira.
Segundo ele, se depender da opinião do presidente do partido, não haverá afastamento do Delúbio ou de qualquer dirigente do PT. Pereira apoiou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio.
- Em primeiro lugar, a postura do presidente está corretísima. Em segundo, o PT não vai colocar nada debaixo do tapete. Se tiver que cortar da pele, nós também vamos cortar. Não houve pedido formal até agora. Há muitos rumores e muitos boatos, se houver algum pedido será formalizado agora na reunião da Executiva. As reuniões da Executiva do PT a gente sabe como começam, mas não sabe como terminam - disse.
Pouco antes, o presidente do PT, José Genoino, descartou a possibilidade de afastamento de Delúbio, por achar que não existe motivo para afastar um dirigente com base em "denúncias infundadas".
Em contatos separados com o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e com o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), Jefferson teria dito ter "uma caixinha de maldades" para divulgar contra os colegas, identificando quanto cada um teria recebido em operações escusas.
- Vou botar meu cargo à disposição do diretório nacional. Ele me elegeu e só ele tem o poder de me tirar - disse Jefferson, após conversa com o ministro do Turismo, o petebista Walfrido Mares Guia.