Rio de Janeiro, 19 de Março de 2026

Execesso de oferta pode chegar a 1,74 milhão de barris, diz Opep

Quarta, 15 de Novembro de 2006 às 12:30, por: CdB

Especialistas da Opep advertiram nesta quinta-feira que a oferta mundial de Petróleo excederá a demanda em 1,4 milhão de barris diários (mbd) no segundo trimestre de 2007 se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo mantiver seu atual nível de extração. A advertência é feita no relatório mensal da organização petrolífera correspondente a novembro, que mantém as previsões sobre o crescimento da demanda mundial de petróleo em 2006 feitas há um mês, e corrige levemente em alta os de 2007.

Os especialistas da Opep prevêem que neste ano o mundo consumirá, no total, uma média de 84,26 mbd de petróleo, o que implica em um crescimento anual da demanda em 980.000 bd, 1,17% a mais frente a 2005. Para o próximo ano, o volume de petróleo requerido pelo planeta ficou em 85,58 mbd, e com isso o Relatório Mensal sobre o Mercado de Petróleo publicado nesta quarta-feira , em Viena, prevê um aumento anual de 1,33 mbd, equivalentes a 1,57%.

A Opep revisou ligeiramente em alta as previsões feitas há um mês, quando previa que, em 2007, a demanda anual cresceria em 1,30 mbd, para 85,52 mbd, apesar de advertir também sobre fatores de incerteza que dificultam estas previsões a médio prazo.

Como ao mesmo tempo calcula que as provisões de fora da Opep aumentarão em 1,8 mbd no próximo ano, volume de sobra para cobrir o previsto aumento da demanda, o relatório afirma que diminuirá em 700.000 bd a quantidade de petróleo que o mundo requereria dos onze países-membros da organização.

Para os produtores, trata-se de "um desequilíbrio que a Opep se propôs a corrigir com a decisão adotada em Doha", em 20 de outubro, de reduzir sua extração em 1,2 mbd a partir de 1 de novembro, fixando sua produção conjunta - sem o Iraque - em 26,3 mbd.

Mas, indiretamente, se pronuncia a favor de aprofundar esse corte, ao advertir que, se o grupo mantiver esse nível de extração, o excesso da oferta será de 1,4 mbd no segundo trimestre de 2007, e esses barris restantes passarão para as reservas armazenadas nas nações consumidoras. Esta situação será discutida "na próxima reunião convocada para 14 de dezembro em Abuja", à luz destes dados e de outros que virão nas próximas semanas.

Sem mencionar isso, o relatório coincide assim com recentes declarações de vários responsáveis da Opep a favor de voltar a diminuir a oferta na reunião de Abuja, entre eles o ministro do Petróleo venezuelano, Rafael Ramírez, que várias vezes opinou que é provável a retirada de 300.000 a 500.000 bd em dezembro. "As amplas provisões globais" e uma tendência à calma no ambiente geopolítico causaram uma forte queda dos preços do petróleo, que, em outubro, chegaram ao nível mais baixo do ano.

O barril de referência da Opep caiu de US$ 72,68 em 8 de agosto para US$ 53,37 dólares em 31 de outubro, mas, em novembro, se recuperou, estabilizando-se entre US$ 53 e US$ 56, segundo o relatório, que atribui esta estabilização ao citado corte da oferta, o primeiro que a Opep faz desde 2004.

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