Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Exclusivo: Fuzil apreendido com policiais foi usado na morte do inspetor Félix

Exames de balística realizados por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) revelaram que um dos três fuzis apreendidos com a quadrilha de policiais que atacou a casa de um policial militar, em São Pedro de D`Aldeia, foi usado no assassinato do inspetor Félix dos Santos Tostes, em fevereiro deste ano. (Leia Mais)

Segunda, 12 de Novembro de 2007 às 19:56, por: CdB

Exames de balística realizados por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) revelaram que um dos três fuzis apreendidos com a quadrilha de policiais que atacou, no dia 27 de agosto, a casa do sargento PM Francisco César Silva Oliveira, em São Pedro de D`Aldeia – ferindo o policial, matando sua esposa e o seu enteado –, foi usado no assassinato do inspetor Félix dos Santos Tostes, em fevereiro deste ano, no Recreio dos Bandeirantes. A informação chegou ao Correio do Brasil, na noite desta segunda-feira, por uma fonte da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Ainda de acordo com a fonte, o rastreamento da Estação Rádio-Base (ERB) instalada na área em que o inspetor foi morto revelou que um dos policiais presos na Região dos Lagos – o policial civil André Luiz da Silva Malvar, lotado no Instituto Félix Pacheco – fez mais de dez ligações do seu aparelho Nextel, daquele local, nas cinco horas que antecederam o crime, para o vereador Nadinho de Rio das Pedras. O político vem sendo investigado como suposto mandante do crime.

A morte do inspetor, que era investigado pela Corregedoria da Polícia Civil pela suspeita de chefiar uma “milícia” em Rio das Pedras, é hoje apurada pela Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), cujo titular é o delegado Paulo Henrique da Silva Pinto. Procurado pela reportagem do CdB, ainda na noite desta segunda-feira, o delegado Silva Pinto não foi localizado em nenhum dos telefones disponíveis.

Ainda segundo a fonte, Fêlix teria impedido a quadrilha de explorar o transporte ilegal, em Rio das Pedras. De acordo com estas informações, dados preliminares reunidos pela delegacia apontam que a quadrilha presa na Região dos Lagos – formada pelo policial civil, um PM e dois ex-PMs – seria responsável pelo controle das vans na Zona Oeste do Rio. A disputa pelo controle dos transportes ilegais no Rio já ficou conhecida como a guerra das vans. O bando teria matado Fêlix porque o inspetor resistira a permitir a exploração do negócio em Rio das Pedras.

Telefonemas anônimos

Denúncias anônimas feitas por telefone à Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), ainda de acordo com a fonte, apontaram que a quadrilha de policiais teria participado do assassinato do inspetor Fêlix. As informações levaram a delegacia a submeter a exames de balística as armas apreendidas com os criminosos, cujo resultado, para um dos três fuzis, foi positivo. A DH-Oeste ainda aguarda os laudos dos exames realizados nas pistolas.

A polícia também investiga a denúncia de que o sargento PM, ferido no ataque com um tiro de raspão em um dos braços, teria envolvimento com a quadrilha de policiais que explora o transporte ilegal na Zona Oeste. No ataque à residência do PM, na Região dos Lagos, foram mortos a sua esposa, Maria Clara Silva de Oliveira, 31 anos, e o seu enteado Yan Coutinho, de 13 anos.

Cerco aos bandidos

Logo após o atentado, a polícia fez um cerco na Região dos Lagos. No quilômetro 30 da Via Lagos, em Araruama, foi presa a quadrilha formada, além do policial civil, pelo PM Welington Vaz Oliveira, do 27º BPM (Santa Cruz), e os ex-PMs José Carlos da Silva e Ricardo Teixeira Cruz, vulgo Batman. Com os presos, levados para a 118ª DP (Araruama), a polícia apreendeu três fuzis, cinco pistolas, duas granadas, 44 carregadores, cinco rádios Nextel, três radiotransmissores, quatro celulares, dois binóculos, duas lunetas e quatro toucas ninja.

O relatório do inquérito da DH-Oeste que apura a morte de Fêlix está em fase de conclusão para ser enviado à promotora Márcia Velasco.

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