Exames de balística realizados por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) revelaram que um dos três fuzis apreendidos com a quadrilha de policiais que atacou, no dia 27 de agosto, a casa do sargento PM Francisco César Silva Oliveira, em São Pedro de D`Aldeia – ferindo o policial, matando sua esposa e o seu enteado –, foi usado no assassinato do inspetor Félix dos Santos Tostes, em fevereiro deste ano, no Recreio dos Bandeirantes. A informação chegou ao Correio do Brasil, na noite desta segunda-feira, por uma fonte da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Ainda de acordo com a fonte, o rastreamento da Estação Rádio-Base (ERB) instalada na área em que o inspetor foi morto revelou que um dos policiais presos na Região dos Lagos – o policial civil André Luiz da Silva Malvar, lotado no Instituto Félix Pacheco – fez mais de dez ligações do seu aparelho Nextel, daquele local, nas cinco horas que antecederam o crime, para o vereador Nadinho de Rio das Pedras. O político vem sendo investigado como suposto mandante do crime.
A morte do inspetor, que era investigado pela Corregedoria da Polícia Civil pela suspeita de chefiar uma “milícia” em Rio das Pedras, é hoje apurada pela Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), cujo titular é o delegado Paulo Henrique da Silva Pinto. Procurado pela reportagem do CdB, ainda na noite desta segunda-feira, o delegado Silva Pinto não foi localizado em nenhum dos telefones disponíveis.
Ainda segundo a fonte, Fêlix teria impedido a quadrilha de explorar o transporte ilegal, em Rio das Pedras. De acordo com estas informações, dados preliminares reunidos pela delegacia apontam que a quadrilha presa na Região dos Lagos – formada pelo policial civil, um PM e dois ex-PMs – seria responsável pelo controle das vans na Zona Oeste do Rio. A disputa pelo controle dos transportes ilegais no Rio já ficou conhecida como a guerra das vans. O bando teria matado Fêlix porque o inspetor resistira a permitir a exploração do negócio em Rio das Pedras.
Telefonemas anônimos
Denúncias anônimas feitas por telefone à Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), ainda de acordo com a fonte, apontaram que a quadrilha de policiais teria participado do assassinato do inspetor Fêlix. As informações levaram a delegacia a submeter a exames de balística as armas apreendidas com os criminosos, cujo resultado, para um dos três fuzis, foi positivo. A DH-Oeste ainda aguarda os laudos dos exames realizados nas pistolas.
A polícia também investiga a denúncia de que o sargento PM, ferido no ataque com um tiro de raspão em um dos braços, teria envolvimento com a quadrilha de policiais que explora o transporte ilegal na Zona Oeste. No ataque à residência do PM, na Região dos Lagos, foram mortos a sua esposa, Maria Clara Silva de Oliveira, 31 anos, e o seu enteado Yan Coutinho, de 13 anos.
Cerco aos bandidos
Logo após o atentado, a polícia fez um cerco na Região dos Lagos. No quilômetro 30 da Via Lagos, em Araruama, foi presa a quadrilha formada, além do policial civil, pelo PM Welington Vaz Oliveira, do 27º BPM (Santa Cruz), e os ex-PMs José Carlos da Silva e Ricardo Teixeira Cruz, vulgo Batman. Com os presos, levados para a 118ª DP (Araruama), a polícia apreendeu três fuzis, cinco pistolas, duas granadas, 44 carregadores, cinco rádios Nextel, três radiotransmissores, quatro celulares, dois binóculos, duas lunetas e quatro toucas ninja.
O relatório do inquérito da DH-Oeste que apura a morte de Fêlix está em fase de conclusão para ser enviado à promotora Márcia Velasco.