Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Excessos atrapalham em <i>O Sequestro do Metrô 123</i>

O Sequestro do Metrô 123,de Tony Scott, estreia nesta sexta-feira. O filme é sobre o sequestro de um trem do metrô de Nova York. John Travolta é o vilão, Denzel Washington, mais uma vez é o sujeito comum que salva o dia bancando o herói. (Leia Mais)

Quinta, 03 de Setembro de 2009 às 09:01, por: CdB

Há alguns momentos no suspense O Sequestro do Metrô 123, que estreia no país nesta sexta-feira, que comprovam estarmos diante de um filme de Tony Scott. É quando a câmera gira.

Num filme de Tony Scott, a câmera gira de todas as formas possíveis e imagináveis e, a cada novo trabalho, o diretor parece aumentar a lista de possibilidades para esse efeito. O problema é que há muito tempo esse tipo de artifício deixou de ser eficiente e passou a ser irritante.

Irmão mais novo de Ridley Scott, Tony chamou a atenção nos anos 1980 com Fome de Viver, mas ficou famoso mesmo em meados daquela década com Top Gang - Ases Indomáveis. Desde então, sua carreira andou na corda bamba dos filmes medíocres com cara de videoclipe.

É o caso de O Sequestro do Metrô. Trabalhando com um roteiro de Brian Helgeland, a partir de um romance de John Godey já filmado duas vezes, em 1974, por Joseph Sargent e, em 1988, numa produção para a TV por Félix Enríquez Alcalá, o diretor encontra uma desculpa para todos os seus tiques visuais de comercial de televisão.

Como o título já entrega, o filme é sobre o sequestro de um trem do metrô de Nova York. John Travolta é o vilão, Denzel Washington, mais uma vez é o sujeito comum que salva o dia bancando o herói. A trama, por si, não tem nada de novo, mas poderia manter a tensão não fossem os exageros visuais de Scott.

Walter Garber (Washington) é um controlador de tráfego do metrô que atende a ligação do sequestrador Ryder (Travolta), que tomou um vagão com passageiros e, em uma hora, começará a matar um por minuto se o seu pedido de resgate não for atendido. É uma corrida contra o tempo -- e Scott parece levar isso a sério demais com sua câmera giratória e planos que duram um piscar de olhos.

Em meio a esse caos visual de fotografia estourada, cores saturadas, cortes rápidos e câmera frenética existe uma questão moral soterrada. O personagem de Washington é investigado por suborno e o de Travolta tem um passado que vai se revelando pouco idôneo também.

James Gandolfini (Tony Soprano) é o prefeito de uma Nova York pós-11 de Setembro, pós-Giuliani, na qual o dinheiro, mais do que nunca, manda e desmanda nos homens. Alguns aceitam as ordens por motivos nobres, outros, por pura ganância. Seria um comentário ácido,  embora pouco original, não fosse o desvario ao qual O Sequestro do Metrô 123 se entrega antes mesmo de acabar a sequência de créditos iniciais.

As cenas de ação, especialmente aquelas que acontecem na superfície da cidade (e não no vagão sequestrado) são absurdamente exageradas e parecem planejadas apenas para aplacar a fome de Scott pelo caos.

Fosse feito alguns anos atrás, ainda no calor do 11 de Setembro, talvez O Sequestro do Metro 123 fosse mais palatável, ao menos para os nova-iorquinos. Agora, quase uma década depois do ataque terrorista, o filme se perde e fica girando em falso, como a câmera de seu diretor.

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