Stephen Gaghan, que assinou o roteiro de Traffic, de Steven Soderbergh, um filme sobre o comércio internacional de narcóticos, agora escreve e dirige uma história sobre um tipo diferente de droga: o petróleo. O modo como lida com as questões é similar nos dois filmes. A trama vai para frente e para trás em meio a várias histórias envolvendo a indústria mundial do petróleo, a política do Oriente Médio e o terrorismo.
A certa altura, todos os enredos se encontram. Dessa vez, no entanto, os saltos geográficos e de personagens deixam o espectador confuso. Pior, os diálogos densos com significados nas entrelinhas são rápidos demais. Por isso, Syriana, que estréia nesta sexta-feira, dá a impressão de ser uma minissérie televisiva condensada em duas horas.
Gaghan dirige o filme como se fosse um thriller, e a trilha sonora de Alexandre Desplat encoraja essa noção. Mas há diálogos demais para conseguir emocionar o público. Apesar da presença de estrelas como George Clooney e Matt Damon, o filme deve ser melhor aceito por adultos mais velhos nos principais mercados do que por uma audiência com menos de 25 anos.
O príncipe Nasir (Alexander Siddig) concede aos chineses os direitos de exploração de gás natural em seu país no Golfo rico em petróleo.
A medida é um golpe sério à gigante texana de energia Connex. Para tentar contrabalançar suas perdas, a Connex tenta uma fusão com a Killen, uma empresa de petróleo menor de propriedade de Jimmy Pope (Chris Cooper). A Killen acabou de obter os direitos para perfuração no Cazaquistão. Tanto a fusão quanto esse surpreendente contato provocam uma investigação do Departamento de Justiça, que desconfia de trapaça.
Dean Whiting (Christopher Plummer) chefia uma poderosa empresa de advocacia de Washington D.C., contratada para guiar a fusão por entre as perigosas veredas da política. Ele pede ajuda ao ambicioso promotor Bennett Holiday (Jeffrey Wright) para garantir que o negócio vá adiante. Whiting também tenta anular o acordo com os chineses, apunhalando o príncipe pelas costas ao se unir ao irmão caçula do monarca, o príncipe Meshal (Akbar Kurtha), e a seu pai mercenário para garantir que o idoso Emir escolha o jovem como seu sucessor.
Enquanto isso, o príncipe Nasir pede ao analista em energia Bryan Woodman (Damon) e a sua empresa de comércio energético, com sede em Genebra, que estude como maximizar os lucros do petróleo para conseguir reformar seu país corrupto. Essa aliança é em parte uma dívida de culpa, já que a família se sente responsável pela morte do filho caçula de Bryan em um acidente na piscina de sua vila. A prontidão de Bryan em aceitar a oferta o afasta de sua mulher Julie (Amanda Peet).
Outra história segue os altos e baixos na vida do veterano agente da CIA Bob Barnes (Clooney), que está em missão no Oriente Médio. Ele se sai bem ao assassinar dois negociantes de armas em Teerã, mas no processo um míssil Stinger cai nas mãos de um árabe sombrio. Sua próxima missão é o assassinato do príncipe Nasir. É claro que o governo norte-americano compartilha o temor da Connex sobre o acordo chinês. Graças a um contato em campo e à própria CIA, Barnes vira um agente nocivo.
A trama final envolve um desiludido paquistanês (Mazhar Munir) que é demitido de seu emprego em uma empresa de petróleo. Ele começa a se tornar cada vez mais radical no extremismo muçulmano em uma madrassa local. Logo surge como um potencial homem-bomba.
Claramente, o filme apóia a visão de que a o vício dos Estados Unidos pelo petróleo dirige toda as suas políticas no Oriente Médio. A superpotência não vai parar diante de nada, seja corrupção, guerra ou assassinato, para garantir os direitos sobre o petróleo.
Embora essa visão não seja injustificada, cria uma situação simplória de mocinhos e vilões que, dramaticamente, não é interessante. Há muito mais acontecendo no Oriente Médio. As coisas são muito mais escuras do que Gaghan te