Domingo, 22 de Fevereiro de 2015 às 09:16, por: CdB
O método tem a mesma lógica dos testes feitos para verificação do vírus HIV
O exame para diagnosticar a tuberculose ficou 240 vezes mais rápido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto graças a uma técnica que permite a identificação, quase que imediata, da micobactéria causadora da doença. O tempo de análise passou de oito horas para apenas dois minutos por meio da tecnologia Point of Care Test (Poct).
O método tem a mesma lógica dos testes feitos para verificação do vírus HIV, com o uso da saliva. No caso da tuberculose, no entanto, a amostra usada na testagem rápida é colhida de uma cultura bacteriológica, por isso ainda há a necessidade de ser feito em laboratório.
De acordo com Valdes Bollela, professor da Divisão de Moléstias Infecciosas e Tropicais do Departamento de Clínica Médica, pesquisadores asiáticos e brasileiros estudam meios para que o exame seja feito diretamente com os fluidos do paciente.
- É a ideia de ter um teste que seja feito com o menor recurso tecnológico e o mais rápido possível. O exemplo clássico disso são exames de malária e HVI, que podem ser feitos fora até do próprio hospital. O da tuberculose ainda não está assim”, explicou. Ele destaca que, por ser uma doença infecciosa, o diagnóstico torna-se ainda mais importante. “É a chave de interromper a cadeia de transmissão da tuberculose - declarou.
O teste rápido está sendo usado no hospital de Ribeirão Preto há um ano e meio.
- Queríamos avaliar o quanto ele agregaria do ponto de vista do custo, da efetividade e na rotina do diagnóstico - explicou Bollela. Na avaliação dele, o teste mostrou-se eficaz em todos os aspectos.
- Consigo fazer com tempo muito menor. O custo dele por teste é mais ou menos R$ 10 - apontou.
Além disso, ele destaca que o teste molecular, que era feito antes, trazia maior risco de contaminação.
- Ele requer uma série de cuidados, então não se conseguia fazer esse exame todos os dias. Conseguíamos fazer duas vezes por semana - completou.
A cultura, que é feita na maioria dos casos com amostra de escarro, demora entre 10 e 14 dias para indicar se estão crescendo micobactérias. O problema é que, além disso, era preciso aguardar mais dois ou três dias para atestar a tuberculose por meio do teste molecular. O Poct permite que, após o período da cultura, já se defina o diagnóstico em minutos.
- Agora, a gente consegue fazer praticamente de imediato - disse o pesquisador.
De acordo com Bollela, a incidência da tuberculose no Brasil é 90 mil casos por ano.
- Desses, entre 85% e 90% são do tipo pulmonar - disse.
- Se você pensar que tem tratamento e que, se tratar direito na primeira vez, tem chance de cura de 100%, ainda há muita gente morrendo de uma doença que tem cura - avaliou o professor.
Ele destacou que entre 10% e 20% dos casos estão associados a pacientes soropositivos.
- Isso piora o prognóstico do HIV e aumenta o risco de ter complicações com a tuberculose - alertou.
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