Vinicius Carrilho
Especial para o site da FPF
Com 39 anos de sua vida dedicados ao futebol, Élcio Mineli foi jogador e hoje trabalha como treinador. Em sua carreira dentro do esporte passou por vários clubes e hoje nutre o sonho de melhorar o futebol.
Como jogador, atuava como volante defensivo. Iniciou sua carreira no juvenil do Cruzeiro e passou por grandes equipes do futebol brasileiro, como a Ponte Preta, onde fez parte do time vice-campeão paulista de 1977, além de Santo André e o Goiás.
Sua carreira dentro das quatro linhas terminou em 1989 e então Élcio Minelli foi para o futebol japonês, onde permaneceu por 18 anos. Na terra do sol nascente, trabalhou como preparador físico e treinador. Passou por equipes como o Vissel Kobe, Kashiwa Reysol, Albirex Niigata e o Shimizu A-Pulse. Lá, também viu o futebol local evoluir e afirma que gostaria que a aplicação tática dos orientais fosse incorporada no futebol nacional.
Hoje, aos 55 anos, trabalha na equipe do Brasilis, clube que investe na formação de jogadores. Amante confesso do futebol, o técnico garante que gostaria de realizar mudanças nesta etapa inicial da carreira dos jogadores, onde eles estão sendo formados. Para Élcio, uma aplicação tática maior e um comportamento mais profissional deveriam ser melhores trabalhados no país.
FPF: Como foi o seu início de carreira dentro do futebol?
Élcio Mineli: Comecei jogando no juvenil do Cruzeiro. Depois passei dois anos no Nacional de Muriaé, também de Minas Gerais. Após isso fui para a Ponte Preta, ainda como amador, quando joguei a Copa São Paulo. Subi para o time principal e fiz parte do grupo vice-campeão paulista de 1977. Em 1978 fui para o Operário (MS), depois segui para o Maringá e depois, em 1983, para o Santo André, onde permaneci seis anos como contratado, porém em um deles fui para o Goiás.
FPF: E fora de campo, como começou sua carreira?
Élcio Mineli: Depois que terminei minha carreira como jogador, em 1989, fui para o Japão. Morei 18 anos lá, quase ininterruptos, e trabalhei como preparador físico, depois como treinador. Em 1997 trabalhei no Sub 20 do Palmeiras e na categoria de base do Santo André. Voltei em definitivo do Japão em 2007 e vim trabalhar com o Oscar Bernardi, aqui no Brasilis. Em 2009 a equipe não disputou campeonatos e fui para o Itapirense, onde trabalhei na Copa Paulista e no início da Série A3. Depois voltei para o Brasilis, onde permaneço até hoje.
FPF: Você passou muito tempo no Japão e deve ter visto toda a evolução do futebol no país. Como descreveria esse desenvolvimento do esporte?
Élcio Mineli: Esse é um assunto que eu gosto muito de falar (risos). Não só o Japão, mas vários outros países estão evoluindo. Todos têm dificuldades no surgimento de talentos individuais, mas no coletivo há uma evolução por todos os lados e nós estamos jogando um futebol atrasado, focando só no individual. Todo esse processo de evolução eu vi no Japão. Na hora de construir jogadas eles têm problemas, mas coletivamente se organizam. Não é priorizada só a parte física ou técnica, mas também a parte tática.
FPF: Para você, o futebol brasileiro deveria incorporar também essa questão tática?
Elcio Mineli: Essa é uma evolução que queria aqui. A Alemanha deu uma guinada no estilo de jogo, assim como a Inglaterra. A Espanha também, ela dá show. Vem jogando um futebol de qualidade, a bola sai pouco do campo, jogador não para a jogada, não fica tentando coagir o árbitro.
FPF: Como foi a sua vida no Japão? Teve dificuldades?
Élcio Mineli: Tive dificuldades no início, principalmente com o idioma, os costumes culinários e culturais que eles tinham. Além disso, o custo de vida era alto. Mas não teve nada muito marcante.
FPF: Como foi jogar na Ponte Preta, naquele time que fez história no final dos anos 70?
Élcio Mineli: Foi muito bom. Era um time que tinha Oscar, Jair Picerni, Marco Aurélio, Dicá, que era acima da média. Na época eles não eram tão famosos, mas começaram a despontar ali.
FPF: Qual a posição que você jogava? Era um bom jogador?
Élcio Mineli: Eu era volante. Era esforçado, fazia um trabalho mais tático, porém nada de espetacular. Às vezes até fazia uns gols de cabeça.
FPF: Seu sobrenome é famoso no futebol. Você tem algum parentesco com o Rubens Minelli?
Élcio Mineli: Que eu tenha conhecimento, não. Já até conversei com ele sobre isso. Sou de família italiana, meu avô veio para o Brasil com quatro anos. Ele também tem a mesma descendência, mas não sei afirmar se há parentesco.
FPF: Quais treinadores te influenciaram na carreira?
Élcio Mineli: No quesito de postura profissional, de ética, o Carlos Alberto Parreira me agrada muito. Ele é a prova de que não precisa ficar xingando jogador ou coagindo o árbitro. A postura deve ser profissional. Na forma de trabalhar com o jogador, destaco o Cilinho. O comando da equipe era dele e os jogadores trabalhavam dentro daquilo que ele quer.
FPF: Você se põe como exemplo quando vai falar com os jogadores mais novos?
Élcio Mineli: Confesso que não gosto de me pegar como exemplo. Às vezes falamos alguma coisa, no sentido de ser esforçado. Até porque são todos meninos aqui e já vi muitos jogadores que não tiveram chances, apesar de serem talentosos. É bom também que eles saibam quem fui e o que joguei, mas dificilmente uso o que aconteceu comigo. Prefiro usar o Barcelona, por exemplo, de quem sou fã do futebol.
FPF: Qual sua meta para o futuro na carreira?
Élcio Mineli: Amo futebol, sou apaixonado desde moleque. Meu sonho não é nem ser um José Mourinho da vida, mas tenho vontade de ajudar o esporte que amo a ser melhor. O que me preocupa é que não vejo evolução. Dentro de campo há qualidade, mas fora falta profissionalismo e planejamento. Acho que tudo deveria ser mais debatido. Meu sonho é o de poder ter mais espaço para falar sobre isso. Falta algo mais profissional.